O ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu pai, Henrique Vorcaro, prestam depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (30). Ambos estão sob prisão preventiva e devem esclarecer suspeitas relacionadas às investigações das facções conhecidas como A Turma e Os Meninos. O cronograma prevê a oitiva de Daniel às 14h, por meio de videoconferencia, enquanto Henrique será ouvido às 16h.
As oitivas haviam sido adiadas anteriormente a pedido da defesa, que argumentou falta de acesso completo aos autos do inquérito. Os advogados informaram que a liberação integral do material ocorreu apenas na última sexta-feira (25), viabilizando a preparação para os esclarecimentos. O foco da corporação recae sobre ações digitais atribuídas ao grupo Os Meninos, que incluiriam invasões a redes, derrubada de contas, monitoramento clandestino de telefones e investidas cibernéticas.
Investigação de espionagem e intimidação
Conforme o inquérito policial, A Turma teria operado sob a diretriz de Vorcaro com o objetivo de coagir opositores e perseguir profissionais da imprensa. Os investigadores também examinam se membros das quadrilhas conseguiram burlar a segurança de bases de dados da própria Polícia Federal, da Interpol e do Ministério Público Federal. A hipótese central é de que informações confidenciais de investigações em curso tenham sido vazadas para o ex-banqueiro previamente a diligências oficiais.
Posicionamento da defesa do ex-banqueiro
Representantes legais de Daniel declararam que o cliente busca colaborar ativamente com a Justiça por meio dos instrumentos legais disponíveis, ressaltando que as chances de manifestação verbal foram limitadas. A defesa classificou as acusações como descabidas e insuficientes para fundamentar a manutenção da custódia cautelar, pontuando que os eventos sob escrutínio se concentraram entre abril de 2024 e julho de 2025, período anterior à deflagração da Operação Compliance Zero.
O defensor Thiago Machado argumentou que os episódios investigados não guardam relação com a gestão ou com as operações do Banco Master. Tratando-se de questões da esfera pessoal, a defesa alega que Daniel era alvo de extorsões e chantagens ligadas à exposição de sua intimidade por antigos empregados. Os advogados sustentam ainda que, como não havia inquérito aberto à época dos fatos, torna-se inviável acusá-lo de tentar obstruir investigações inexistentes.
Negativa de envolvimento por parte de Henrique Vorcaro
Por sua vez, Henrique Vorcaro também rejeita qualquer associação com A Turma. Por meio de uma carta endereçada ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, ele alegou ignorar a existência da facção e justificou que os repasses financeiros apontados nas mensagens decorrem de negócios no setor imobiliário.
Apesar das negativas, o relatório policial aponta indícios de que o pai do ex-banqueiro teria atuado no custeio e na encomenda de prestações de serviço do grupo. Em contrapartida, os defensores repudiam tal leitura e argumentam que Henrique não pode sofrer imputações criminais unicamente em razão do vínculo familiar com Daniel.




















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