CGU aponta fraude em 93% de consignados do Banco Master

CGU: 93% do consignado do Master foi efetivado antes da assinatura dos beneficiários

Uma auditoria recente conduzida pela Controladoria-Geral da União (CGU) revelou que 93,3% dos empréstimos de crédito consignado vinculados ao Banco Master foram formalizados antes mesmo que os segurados do INSS assinassem os documentos.

Prazos e irregularidades na efetivação

Conforme o levantamento, em apenas 2,8% das situações a assinatura surgiu no dia posterior ao início da vigência. No entanto, em 90,5% do total examinado, a validação ocorreu após dois dias ou mais do começo do contrato.

Nenhuma outra entidade do setor financeiro apresentou um índice tão expressivo para essa mesma falha. O montante analisado abrangeu 165,9 mil acordos firmados entre 2019 e 2025, sendo que 154,8 mil apresentaram rubricas posteriores ao início da cobrança.

O funcionamento do crédito consignado

Essa modalidade de empréstimo desconta as parcelas mensais diretamente na folha de pagamento ou benefício de aposentados e pensionistas, oferecendo taxas de juros reduzidas por conta da suposta segurança no repasse.

Contudo, as normas exigem validação prévia por biometria ou manifestação expressa. O registro da operação é proibido sem a devida comprovação de anuência do cliente. Embora o problema tenha aparecido em 53 instituições, o banco comandado por Daniel Vorcaro liderou disparado.

Riscos e impacto financeiro

De acordo com os auditores, tal conduta pode provocar graves distorções no cálculo das dívidas e dos valores financiados, prejudicando a transparência sobre a vigência real. Parte do problema, contudo, pode derivar de falhas no preenchimento de dados.

A instituição financeira está no foco de investigações do Ministério Público Federal (MPF) sobre fraudes em operações previdenciárias, sendo apontada em escândalos de grande proporção no mercado nacional.

Posicionamento oficial do INSS

O órgão previdenciário esclareceu que rompeu sua parceria com a instituição financeira em setembro de 2025, após cinco anos de vigência, não mantendo vínculos atuais.

Ademais, a autarquia destacou que vem modernizando seus sistemas, incluindo bloqueios automáticos para evitar fraudes em contas de falecidos, além de instaurar processos internos para investigar as ocorrências apontadas no relatório de controle.