Suíça testa openDesk para substituir Microsoft 365

Governo da Suíça quer se livrar do Microsoft 365

O governo da Suíça deu o primeiro passo para afastar a administração pública federal do ecossistema da Microsoft, iniciando um programa piloto que substitui o Microsoft 365 por ferramentas de código aberto. Nesta fase inicial, cerca de 3.000 servidores públicos participam dos testes com novas tecnologias.

Os motivos para a troca de software

Segundo especialistas da área acadêmica, a iniciativa é motivada por três fatores críticos. O primeiro envolve a segurança nacional para diminuir o risco de exposição de dados governamentais a jurisdições estrangeiras, considerando que a gigante de tecnologia tem sede nos Estados Unidos.

Além disso, a administração busca mitigar a alta dependência tecnológica de um único fornecedor internacional e conter os crescentes gastos com taxas de licenciamento, despesas que sobem constantemente sem margem para negociação por parte do Estado.

O que é o openDesk e por que foi escolhido

Para suprir a ausência das ferramentas tradicionais, os computadores dos participantes passam a rodar o openDesk, um pacote completo de produtividade open-source. A plataforma integra editores de texto e planilhas, sistemas de correio eletrônico, calendários, além de recursos para bate-papo e chamadas de vídeo.

A escolha recaiu sobre essa alternativa alemã por estar alinhada aos conceitos de soberania digital defendidos na Europa e ter concepção voltada especificamente para órgãos públicos.

Estratégia de transição e prazos

Migrações tecnológicas dessa magnitude costumam enfrentar barreiras, visto que aplicativos como Word, Excel e PowerPoint dominam o mercado corporativo e governamental. Uma mudança drástica geraria conflitos de compatibilidade de arquivos e resistência dos usuários.

Por esse motivo, o projeto abrange apenas 6% dos 54.000 postos de trabalho do funcionalismo federal suíço. Os testes ocorrem de maneira híbrida, mantendo o software norte-americano instalado para evitar gargalos operacionais durante a adaptação.

O cronograma oficial prevê a conclusão desta etapa com 3.000 funcionários até o final de 2027. Caso os resultados sejam satisfatórios, a implantação poderá ser expandida para todo o restante da máquina pública.

O projeto atual é fruto de uma avaliação prévia bem-sucedida que envolveu 172 servidores. Embora tenham sido identificadas certas limitações técnicas durante essa fase preliminar, o desempenho geral convenceu as autoridades a avançarem com o programa piloto em maior escala.