STF mantém afastamento do diretor-geral da PF decidido por Mendonça

Mesmo com pedido de vista de Gilmar, STF mantém afastamento de diretor da PF

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal confirmou, nesta terça-feira, 8, a medida cautelar que afasta de suas funções o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o chefe de Inteligência Policial da instituição, Leandro Almada da Costa.

Formação de maioria na Corte

O colegiado referendou a determinação emitida inicialmente pelo ministro André Mendonça. O voto do relator recebeu o apoio dos ministros Luiz Fux e Nunes Marques, consolidando o placar de três a zero.

Apesar de o ministro Gilmar Mendes ter interrompido a votação por meio de um pedido de vista para análise aprofundada, os dirigentes seguem afastados de seus cargos enquanto ocorrem as apurações sobre a elaboração de relatórios de inteligência voltados a monitorar autoridades.

Investigação e restrições internas

Além de ratificar o afastamento dos delegados, os magistrados aprovaram a abertura de procedimentos investigatórios na Corregedoria da PF para examinar a conduta de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, bem como a origem dos documentos em questão.

A decisão da Turma também proíbe a criação, circulação ou elaboração, mesmo no âmbito interno da corporação, de relatórios de inteligência que tenham como objetivo analisar atos funcionais de membros da magistratura, da advocacia pública e da polícia judiciária.

Fundamentos da decisão

Ao determinar a suspensão dos cargos, André Mendonça apontou grave ilicitude na produção dos documentos que foram tornados públicos pelo ministro Alexandre de Moraes.

Segundo o relator, a chefia da PF encaminhou sigilosamente seis relatórios elaborados pela inteligência entre 3 e 31 de agosto. Os textos continham análises sobre decisões de Mendonça, posturas da Advocacia-Geral da União e investigações envolvendo o Banco Master e o INSS.

O magistrado classificou o material como um “nada jurídico”, destacando a ausência de elementos formais como timbre ou assinaturas, além de ressaltar ter sido submetido a um monitoramento irregular por mais de 30 dias.

O desdobramento ocorre em meio à crise institucional desencadeada após a revelação de mensagens e documentos obtidos a partir de investigações conduzidas pela corporação.