São Paulo registra setembro mais chuvoso em 83 anos

São Paulo já registra o setembro mais chuvoso em 83 anos

A primeira quinzena deste mês entrou para a história meteorológica do Brasil ao registrar volumes de precipitação muito acima da média em várias cidades das regiões Sul e Sudeste, com destaque para a capital paulista, que enfrenta o setembro mais chuvoso em 83 anos.

Recordes históricos batidos em São Paulo

Até a manhã do dia 15, a cidade de São Paulo acumulou 253,8 milímetros de chuva, superando a marca anterior de 243,1 mm estabelecida em 1983. Como a média esperada para todo o período é de 83,3 mm, a capital recebeu cerca de três vezes o volume previsto em apenas 15 dias.

Segundo levantamentos oficiais, o ranking dos setembros mais chuvosos na capital traz 2026 no topo, seguido por 1983, 1993, 2015 e 2009. Outros municípios paulistas também quebraram marcas seculares, a exemplo de Iguape com 331,2 mm e Bragança Paulista com 273,8 mm. Em pontos monitorados de Bertioga, os acumulados chegaram a impressionantes 402 mm no mesmo intervalo.

Impacto em outras capitais do Sul e Sudeste

O temporal não se limitou ao território paulista. No Rio de Janeiro, o acumulado médio chegou a 137,3 mm, posicionando setembro de 2026 como o quarto mais chuvoso dos últimos 29 anos na cidade fluminense. Em Belo Horizonte, os 79,1 mm registraram a nona maior marca histórica desde 1961.

Já no Paraná, Curitiba acumulou 243 mm — superando a média mensal de 143 mm —, enquanto cidades como Morretes atingiram 315,2 mm de precipitação.

O papel do Oceano Atlântico nas tempestades

Especialistas apontam que a frequência de frentes frias é a principal causa desse cenário atípico. O fenômeno conhecido como Dipolo do Atlântico Sul, que altera a temperatura das águas oceânicas, favorece a entrada constante de sistemas instáveis na costa.

Especialistas descartam a influência do El Niño no evento atual, ressaltando que tal fenômeno costuma provocar calor e chuvas irregulares, exatamente o oposto do que tem sido observado. A instabilidade deve persistir em parte do país até o encerramento do mês.

Transtornos com a umidade elevada

A sequência contínua de dias cinzentos e chuvosos tem gerado transtornos práticos para a população, como o acúmulo de umidade em residências, paredes molhadas e dificuldade para secar roupas.

Além dos incômodos domésticos, a alta saturação do solo acende o alerta para riscos de deslizamentos de terra e alagamentos em áreas vulneráveis, mantendo os órgãos de monitoramento em vigilância constante.