PF investiga Mario Frias e filme sobre Bolsonaro por desvios

PF faz buscas contra Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta quinta-feira (10) a operação denominada Make Up, com o objetivo de desarticular um suposto esquema de desvio de verbas públicas. A ação visa apurar irregularidades no financiamento do longa-metragem Dark Horse, produção cinematográfica que aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mandados e alvos da operação

Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a ofensiva cumpre mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Distrito Federal e em São Paulo. Entre os 22 alvos das ordens judiciais estão o deputado federal Mario Frias e a produtora Karina Gama. As autoridades esclareceram que não foram emitidos mandados de prisão para esta fase da investigação.

Esquema de fraudes e subcontratações

De acordo com os órgãos investigadores, a atuação de uma suposta organização criminosa composta por agentes públicos e privados teria direcionado verbas federais de emendas parlamentares. Os montantes eram repassados a uma entidade da sociedade civil e, posteriormente, encaminhados a empresas subcontratadas de forma irregular, sem a devida comprovação da prestação dos serviços contratados.

Movimentações financeiras sob escrutínio

As autoridades apontam que foram identificadas transações da ordem de centenas de milhões de reais entre as companhias suspeitas de integrar o esquema. O inquérito conduzido pela PF apura a prática de diversos delitos, incluindo peculato, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e fraudes em licitações.

Investigações paralelas no Supremo

O caso relacionado ao custeio do filme é alvo de dois inquéritos distintos na mais alta Corte do país. Enquanto a apuração sob a batuta de Flávio Dino concentra-se no uso inadequado de emendas parlamentares e verbas estatais, uma segunda frente, relatada pelo ministro André Mendonça, analisa repasses financeiros executados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro.

Delação premiada e repasses ao exterior

No âmbito do inquérito sob a responsabilidade de André Mendonça, foi homologada na quarta-feira (9) a colaboração premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro e proprietário da Entre Investimentos. Conforme o relato do delator, foram efetuadas sete remessas financeiras para o fundo Havengate, situado nos Estados Unidos, entre janeiro e setembro de 2025. Os valores totalizaram 12,333 milhões de dólares, montante que representava cerca de 62,8 milhões de reais de acordo com a cotação cambial daquele período.