PF intima Galípolo, Campos Neto e André Esteves em inquérito

PF manda intimar Galípolo, Campos Neto e André Esteves no caso Banco Master

A Polícia Federal determinou a oitiva do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-comandante da autarquia Roberto Campos Neto e do acionista principal do BTG Pactual, André Esteves, no âmbito da investigação que envolve o Banco Master. Os nomes de peso do setor financeiro prestarão esclarecimentos na condição de testemunhas.

Investigação e alvos principais O inquérito policial busca esclarecer se Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, repassou propina a Belline Santana e Paulo Sérgio Souza, que atuavam como chefe e chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC. A suspeita é de que os ex-funcionários repassavam dados sigilosos da fiscalização e davam orientações informais ao banqueiro, acusações que ambos refutam veementemente.

Novos depoimentos agendados Além do trio convocado recentemente, a corporação policial ordenou um novo depoimento de Ailton de Aquino, atual diretor de Fiscalização do BC. As ordens de intimação foram emitidas em 3 de agosto, mas os depoimentos atrasaram devido à prioridade dada a outras oitivas dentro da mesma linha de apuração.

Menção em depoimento motivou intimações A inclusão de Galípolo, Campos Neto, Esteves e Aquino na lista de testemunhas ocorreu após declarações prestadas por Paulo Sérgio Souza à PF. O ex-integrante do BC relatou que o atual presidente da instituição teria relutado em acionar o Ministério Público Federal sobre irregularidades descobertas durante tratativas para a venda do Master ao Banco Regional de Brasília.

Relatos de reuniões e alertas de fraude Conforme o depoimento, Souza mencionou dois encontros com Galípolo. No primeiro, relatou o não recolhimento de reservas obrigatórias pelo Master, sugerindo a liquidação ou uma saída de mercado intermediada pelo BTG, momento em que Galípolo teria solicitado um voto de confiança para o acordo com o BRB. No segundo encontro, em junho, o chefe do BC teria declinado de informar o Ministério Público sobre gestão temerária, amparando-se em dados sobre fraudes na carteira.

A suposta fraude bilionária O depoimento também apontou que o BTG Pactual teria detectado uma fraude estimada em R$ 32 bilhões no Master durante o processo de due diligence, avistamento realizado antes de fusões e aquisições. A descoberta teria sido repassada verbalmente em novembro de 2024, com apresentação formal posterior ao BC em reunião que contou com a presença de Campos Neto, embora sem a entrega física de documentos naquela ocasião.

Reação da defesa A assessoria jurídica de Roberto Campos Neto declarou que ainda não foi notificada oficialmente sobre a medida e lamentou o vazamento prévio dos dados sigilosos à imprensa, questionando a condução do caso.