PF aponta 6 diretores do BRB em fraude de R$ 17 bi com Master

Perícia da PF aponta 6 diretores do BRB envolvidos em fraude com Master

Uma investigação conduzida pela Polícia Federal revelou um esquema de fraude financeira estimado em R$ 17 bilhões envolvendo transações entre o Banco de Brasília e o Banco Master. O material pericial veio a público após a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de retirar o sigilar dos documentos.

Diretoria sob suspeita

De acordo com os apontamentos da corporação, seis integrantes da alta cúpula do BRB participaram diretamente da aprovação de títulos fraudulentos. A lista de investigados inclui o diretor-presidente Paulo Henrique Costa, além dos diretores Cristiane Maria Lima Bukowitz, Dario Oswaldo Garcia Júnior, Luana de Andrade Ribeiro, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior.

O levantamento técnico destacou que o único membro da diretoria executiva que ficou de fora das operações irregulares foi o diretor jurídico Jacques Mauricio Ferreira Veloso. A PF ressaltou, contudo, que o documento aponta responsabilidade técnica pelas decisões, cabendo exclusivamente à Justiça definir a existência de dolo ou culpa.

Operações e falsificações

Entre os anos de 2024 e 2025, o colegiado do banco distrital aprovou a aquisição de carteiras do Banco Master totalizando R$ 17,5 bilhões. Os investigadores identificaram pelo menos 25 transações no período, sendo que 21 delas ficaram abaixo do limite de R$ 750 milhões, valor que dispensava o aval do Conselho de Administração.

O laudo pericial detalha que o esquema recorreu a falsificações sistemáticas e gestão temerária. “A conclusão não decorre do simples insucesso econômico”, aponta o texto da perícia, destacando o uso repetido de artifícios para burlar mecanismos de controle e conferir falsa legalidade a negócios sem substância econômica real.

Posicionamento oficial

Em nota oficial, a administração atual do BRB declarou que a abertura dos autos representa uma chance para esclarecer os danos sofridos pela instituição, classificada como vítima de ações criminosas. O banco destacou que promoveu a troca completa de sua diretoria e contratou auditoria independente para investigar o caso.

Por fim, a instituição financeira informou que repassou todas as conclusões da auditoria para órgãos de controle, como Polícia Federal, Ministério Público Federal e Banco Central. A gestão atual reforça que busca o ressarcimento de prejuízos e a responsabilização dos ex-gestores envolvidos nas irregularidades.