A atmosfera na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, em Campinas, interior paulista, era de intensa dedicação. Sob a rigorosa regência de um sacerdote romano, cerca de mil vozes entoavam melodias sacras com precisão cirúrgica, parando apenas ao menor deslize para corrigir o compasso.
H2 O principal nome da música sacra mundial no Brasil
O monsenhor Marco Frisina, aos 71 anos, aterrissou em território brasileiro para ser a grande estrela do 1º Congresso Internacional de Coros Litúrgicos, realizado no final de agosto. O evento reuniu regentes, cantores, pesquisadores e religiosos da América Latina durante três dias de imersão musical.
No ápice do evento, o compositor regeu quase 20 composições ao lado da Orquestra Sinfônica de Indaiatuba, contando com o apoio de solistas e do tradicional órgão. Formado no Conservatório de Santa Cecília e ordenado em 1982, o sacerdote italiano fundou o famoso Coro da Diocese de Roma, responsável pelas celebrações papais.
H3 A renovação da tradição e a simplicidade litúrgica
A trajetória do maestro começou por um incômodo com a informalidade excessiva nas igrejas, marcada antigamente pelo uso solitário de violões sem arranjos profissionais. A partir disso, buscou resgatar a música tradicional da Igreja por meio da polifonia e de arranjos orquestrais, mas com um olhar voltado para a modernidade e para o acesso das paróquias comuns.
Com mais de 700 cantos compostos, o religioso defende que a simplicidade e a solenidade devem caminhar juntas. Essa visão vai ao encontro das diretrizes do Concílio Vaticano II e das recentes exortações do Vaticano sobre a importância de manter a música litúrgica alinhada à oração, rejeitando modismos passageiros.
O papel da formação nas paróquias brasileiras
Segundo o maestro Danillo Del Chiaro, diretor do congresso e regente da Paróquia Nossa Senhora do Brasil, há um crescente interesse dos jovens pela liturgia. Contudo, ele aponta uma carência de coros estruturados e de formação técnica adequada entre os voluntários que atuam nas igrejas do país.
Para Frisina, o objetivo não é elitizar os coros paroquiais, mas garantir que qualquer fiel interessado possa participar, desde que haja ensaios regulares e a devida direção de um profissional capacitado.
Novos projetos e a exuberância do Brasil
Esta não foi a primeira passagem do maestro pelo país. Além da visita de 2019, o evento marcou o lançamento de seu segundo álbum totalmente em português, intitulado “Cristo, Nossa Esperança”, gravado pelo Coro da Arquidiocese de Campinas e acompanhado de um livro de partituras inédito.
O religioso destacou a exuberância e a alegria características dos coros brasileiros, elogiando a forma como a América Latina conecta a arte à espiritualidade. Além disso, relembrou sua parceria com o papa Francisco no projeto humanitário Concerto com os Pobres, reforçando o papel transformador da arte.
O encerramento do congresso ocorreu com uma missa solene celebrada pelo bispo dom Moacir Silva, consolidando o evento como um marco para a evangelização. Para o monsenhor, a arte sonora continua sendo um pilar fundamental da fé: “A música é um instrumento de evangelização e de oração”, conclui.
















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