O ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou as redes sociais neste domingo, 20, para afirmar que os questionamentos direcionados à sua atuação profissional na imprensa evidenciam um claro preconceito regional de matriz racista.
Origem nordestina e referências filosóficas na mira
Em publicação feita no Instagram, o magistrado rebateu ataques focados em sua origem maranhense e contestações sobre as referências filosóficas que costuma empregar em seus votos na Corte. Sem citar diretamente veículos de comunicação, ele listou termos pejorativos que encontrou recentemente em editoriais e colunas de jornais de grande circulação.
Entre as expressões destacadas pelo ministro estão jurista de província e oratória grandiloquente de província. Para o magistrado, tais descrições não passam de reflexos de uma antipatia velada contra a sua procedência geográfica.
Repercussão na imprensa e debates jurídicos
As manifestações citadas por Dino vieram à tona após episódios específicos no STF, como a sessão que debateu investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, jornais como O Globo utilizaram termos como oratória grandiloquente de província para qualificar a postura de Dino e do ministro Gilmar Mendes.
Outros articulistas e comentaristas, incluindo nomes da Folha de S.Paulo e da Revista Oeste, questionaram o uso de citações ao filósofo grego Aristóteles por parte de Dino, além de menções a figuras da cultura pop como o cantor Chico César e o humorista Fábio Porchat.
Defesa da trajetória acadêmica e autonomia
Diante das contestações sobre seu repertório intelectual, o magistrado defendeu seu histórico de estudos. Ele relatou que a obra de Aristóteles foi aprofundada durante sua graduação na Universidade Federal do Maranhão, sob a tutoria do professor Agostinho Ramalho Marques Neto.
O ministro pontuou que compreende a necessidade de se submeter ao escrutínio público e ao debate democrático inerentes ao cargo que ocupa. No entanto, ressaltou que continuará firme na defesa de sua independência funcional e de sua dignidade contra ataques que considere discriminatórios.
















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