A defesa de Ana Cláudia Queiroz de Paiva acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 8, com um pedido para a retirada da tornozeleira eletrônica. Alvo de apurações que também envolvem o empresário Daniel Vorcaro, a investigada alega que o equipamento tem sido um entrave para a sua reocolocação no mercado de trabalho.
Pedido enviado ao ministro André Mendonça
A petição foi direcionada ao gabinete do ministro André Mendonça, que relata o inquérito envolvendo Vorcaro e Fabiano Zettel. Os representantes legais solicitam a substituição do monitoramento por vistorias mensais na Justiça em Belo Horizonte, além de requisitarem a ampliação da circulação para todo o território nacional ou, ao menos, por Minas Gerais.
Apesar da flexibilização pretendida, os advogados mantêm a concordância com a retenção do passaporte, a proibição de viagens ao exterior e a restrição de contato com testemunhas e demais alvos da investigação. Ana Cláudia cumpre medidas cautelares desde março, período que, segundo a defesa, já seria suficiente para justificar a suspensão do uso do dispositivo eletrônico.
Argumentos sobre a hierarquia e o papel na empresa
No documento protocolado no tribunal, a defesa contesta a gravidade da função atribuída à investigada. Os advogados enfatizam que ela atuava como diretora administrativa na Super Empreendimentos e Participações S.A., e não como sócia. Sua rotina envolvia a gestão financeira de contas a pagar, sempre de forma subordinada.
De acordo com o texto, cabe a Daniel Vorcaro a ordem dos pagamentos, a Fabiano Campos Zettel a autorização, e a Ana Cláudia coube apenas a execução operacional. A defesa reforça que a investigada não detinha poder econômico, capacidade de interferência institucional ou rede de influência, lembrando que a Polícia Federal sequer solicitou sua prisão preventiva.
Colaboração e impacto na busca por emprego
Outro ponto destacado é a postura colaborativa desde o início das diligências. A defesa relata que a investigada retornou imediatamente para Belo Horizonte ao saber das buscas, entregou o passaporte, forneceu senhas de aparelhos eletrônicos, disponibilizou dados telemáticos e compareceu a todas as intimações.
Sem renda desde fevereiro e após se candidatar a mais de cem vagas em finanças, a investigada aponta prejuízos profissionais e pessoais. A restrição geográfica limita as oportunidades a Belo Horizonte, excluindo cidades vizinhas como Nova Lima, Contagem e Betim. Além disso, os advogados pontuam que a visibilidade da tornozeleira gera estigma em entrevistas presenciais e impede a prática de atividades físicas, como musculação e pilates.
















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