O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou nesta sexta-feira, 11, a abertura de um inquérito exclusivo pela Polícia Federal para investigar possíveis fraudes no contrato de fornecimento de internet sem fio em áreas periféricas da capital paulista, firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil.
Transferência de investigações e bloqueio de repasses
Além de ordenar a nova apuração federal, o magistrado determinou que a Polícia Civil paulista envie ao STF o procedimento investigatório que já corria no âmbito estadual sobre a mesma organização não governamental. Na mesma decisão, os pagamentos públicos direcionados ao instituto foram imediatamente suspensos.
O Instituto Conhecer Brasil está vinculado à empresária Karina da Gama, que também comanda a produtora Go Up, responsável pelo longa-metragem Dark Horse.
Conexão com desvio de emendas parlamentares
A medida foi tomada por Dino devido à conexão entre o caso do Wi-Fi e outra investigação em curso no STF que trata do suposto desvio de verbas de emendas parlamentares enviadas à entidade.
O deputado federal Mário Frias (PL-SP foi o responsável por destinar verbas ao instituto. Como desdobramento, agentes federais cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa do parlamentar, sob a suspeita de desvio de recursos públicos — acusações que o deputado nega veementemente, classificando a ação como cortina de fumaça.
Movimentações financeiras e suspeitas de desvios
A corporação federal busca entender se existe ligação entre as irregularidades no contrato municipal e o esquema envolvendo as emendas. De acordo com os investigadores, companhias contratadas pela ONG para realizar o serviço repassaram valores para a Academia Nacional de Cultura, outra entidade sob o comando da empresária.
Valores milionários e aditivos do contrato
Firmado em 2024, o acordo inicial entre o Instituto Conhecer Brasil e a administração municipal previa o montante de R$ 108 milhões para a instalação de 5 mil pontos de internet pública nas periferias, com vigência inicial de junho daquele ano até maio de 2025.
Conforme dados da prefeitura, a ONG recebeu R$ 69,1 milhões durante o primeiro ano de parceria pela entrega de 3,2 mil pontos ativos, além de aproximadamente R$ 25 milhões pagos entre junho e dezembro de 2025.
Em dezembro de 2025, um termo aditivo injetou mais R$ 49,1 milhões no projeto e prorrogou o prazo até dezembro de 2026, elevando o valor total para R$ 157 milhões, enquanto a meta de antenas foi ajustada para 3,2 mil pontos.
A apuração conduzida pela Polícia Civil de São Paulo focava na correta aplicação dos valores, na execução dos serviços e nos repasses para subcontratadas, material que agora passa a ser responsabilidade exclusiva da Suprema Corte.
















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