Fim de subsídios pode encarecer combustíveis e pressionar o IPCA

Abasteça o carro antes de 26 de outubro

O alívio recente sentido pelos motoristas nos postos de combustíveis pode estar com os dias contados. Sustentada por incentivos fiscais e subsídios federais que já totalizam cerca de R$ 46,2 bilhões em custos públicos, a atual política de contenção de preços tem previsão de término programada para o início de novembro, o que acende um alerta para o risco de um repique inflacionário.

Como os incentivos federais seguram os preços na bomba

Atualmente, o consumidor final paga valores reduzidos graças a renúncias fiscais e subvenções diretas. Pelas estimativas do setor, a gasolina comum conta com uma desoneração de R$ 0,89 por litro, enquanto o etanol tem abatimento de R$ 0,19 por litro. No caso do diesel importado, a subvenção chega a R$ 1,40 por litro.

Com esses descontos, o valor médio apurado em São Paulo fica em R$ 6,34 para a gasolina, R$ 3,91 para o etanol e R$ 6,55 para o diesel. Caso esses incentivos fossem retirados integralmente de imediato, as cotações poderiam registrar saltos expressivos:

  • Gasolina: elevação estimada em até 14,04%;
  • Diesel: aumento potencial de até 21,37%;
  • Etanol: alta projetada de até 4,86%.

Comparativo internacional e o cenário global

Mesmo em um contexto internacional conturbado por tensões geopolíticas no Golfo Pérsico, que levou outras nações a intervir no mercado energético, o Brasil opera com patamares significativamente abaixo do exterior. Dados comparativos globais mostram que a gasolina brasileira custa em torno de 20% menos do que a média mundial, ao passo que o diesel é negociado cerca de 15% abaixo da referência externa.

O impacto direto e indireto no IPCA

A preocupação de analistas econômicos reside no efeito em cadeia que o fim dos benefícios fiscais pode provocar sobre a inflação. A metodologia de cálculo aponta que cada variação de 1% no valor dos combustíveis gera um reflexo direto de 0,06 ponto porcentual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ao somar o custo indireto em transporte, logística e distribuição (estimado em 0,02 p.p.), o peso total atinge 0,08 ponto porcentual.

Em um cenário hipotético no qual os combustíveis subam em média 17,5% após a recomposição tributária, o impacto cumulativo no índice oficial de preços poderia alcançar 1,4 ponto porcentual. O movimento ocorreria em um momento delicado, visto que a taxa acumulada em 12 meses já marca 4,58%, superando o centro da meta de 3% e ultrapassando o teto do intervalo de tolerância de 4,5% definido pelas autoridades monetárias.

Contas públicas e os desdobramentos a partir de novembro

O vencimento das desonerações da gasolina e do etanol está previsto para 9 de novembro. Além da pressão que a eventual alta trará para o bolso dos motoristas e transportadores, a manutenção artificial dos valores já impõe um peso considerável sobre o equilíbrio fiscal, uma vez que as renúncias de receita e os subsídios drenam recursos do orçamento público e elevam a trajetória da dívida governamental.