Fed aumenta juros nos EUA pela 1ª vez em três anos

Fed eleva juros nos EUA pela primeira vez em três anos

O Federal Reserve (Fed) elevou a taxa básica de juros dos Estados Unidos para a faixa de 3,75% a 4% nesta quarta-feira (16). Esta marca o primeiro aumento nos custos de empréstimo desde julho de 2023 e a estreia de Kevin Warsh na presidência do banco central, cargo que assumiu em maio.

Mudança na política monetária

A nova alta quebra uma série de cortes iniciada em 2023. Durante o segundo mandato de Donald Trump, iniciado em janeiro de 2025, o Fed cortou as taxas três vezes antes de estabilizá-las entre 3,5% e 3,75% no final do ano passado.

Desde que voltou à presidência, Trump tem cobrado reduções agressivas do banco central. O mandatário chegou a ameaçar o antecessor de Warsh, Jerome Powell, e tentou afastar a diretora Lisa Cook em 2024 sob acusações de fraude hipotecária, decisão posteriormente anulada pela Suprema Corte.

Em setembro, o presidente americano ameaçou barrar o comércio com nações que possuem déficit comercial com os EUA caso o Fed não baixasse os juros. Apesar da forte pressão política, a instituição optou pelo encarecimento do crédito, seguindo as projeções de Wall Street.

Inflação e impacto geopolítico

O panorama macroeconômico norte-americano segue pressionado pelo custo de vida e pelos preços dos combustíveis. O índice de inflação em 12 meses fechou agosto em 3,4%, repetindo o patamar de julho e atingindo o menor nível desde março, embora ainda permaneça acima da média histórica de 3%.

A escalada nos preços dos combustíveis tem forte ligação com o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, deflagrado em 28 de fevereiro. A guerra prejudicou drasticamente a circulação no Estreito de Ormuz, corredor energético fundamental responsável por escoar 20% do petróleo global.

Registros do Hormuz Strait Monitor apontam que apenas oito embarcações passaram pelo canal recentemente, uma queda drástica em relação à média diária de 140 navios registrada antes das hostilidades.

Por outro lado, o governo dos EUA culpou o confronto entre Rússia e Ukraine pela alta internacional do diesel, divergindo das análises que apontam o Oriente Médio como causa principal. Embora Trump tenha declarado que Moscou e Kiev aceitariam paralisar ataques contra refinarias, nenhuma das duas nações confirmou oficialmente o acordo de trégua.