Faesp critica reajuste de 15% no Bolsa Família e aponta riscos econômicos

Federação do setor rural vê reajuste do Bolsa Família com ‘extrema preocupação’

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) expressou forte preocupação com o recente reajuste de 15% no Bolsa Família, oficializado pelo governo federal. Para a entidade que representa o agronegócio paulista, a decisão possui forte apelo eleitoral e compromete o equilíbrio fiscal do país.

Impacto nas contas públicas e inflação

Em nota oficial, a federação destacou que a ampliação dos gastos ocorre em um momento de déficit público superior a R$ 1 trilhão. O Ministério do Planejamento e Orçamento calculou que a medida gerará um custo extra de R$ 28,5 bilhões entre 2026 e 2027.

Segundo a Faesp, a injeção desses recursos sem o devido respaldo orçamentário tende a pressionar a inflação, elevar as taxas de juros e afugentar novos investimentos produtivos do setor privado, criando um cenário desafiador para a economia nacional.

Novos valores e mudanças no programa

Com a alteração anunciada, o piso do programa social saltará de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio pago aos cidadãos subirá de R$ 675 para R$ 777. O impacto financeiro estimado pelo governo é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027, embora a proposta orçamentária enviada ao Congresso no mês anterior não previsse tais reajustes.

A entidade agropecuária ressaltou que não é contrária aos programas de transferência de renda para a população de baixa renda, mas enfatizou a necessidade de seguir rigorosamente a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Por fim, o manifesto defende que a iniciativa governamental evolua de um modelo estritamente assistencialista para uma ferramenta de capacitação profissional e inserção no mercado de trabalho, garantindo autonomia financeira de longo prazo aos beneficiários.