EUA cassam vistos de autoridades latino-americanas; Brasil fica de fora

EUA revogam vistos de 27 autoridades da América Latina; nenhum brasileiro é atingido

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta segunda-feira (28) a cassação dos vistos de 27 autoridades e ex-autoridades da América Latina, além de seus familiares. A lista de penalizados não inclui nenhum cidadão brasileiro.

Alvos na América Latina

De acordo com o Departamento de Estado norte-americano, as sanções recaem sobre representantes da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. A iniciativa integra uma ofensiva geopolítica contra a corrupção, o narcotráfico e condutas que, na visão de Washington, colocam em risco as instituições democráticas latino-americanas.

O posicionamento oficial enviado à imprensa destaca que a medida serve para honrar pactos de proteção à governança democrática continental. O comunicado reforça que sabotar administrações eleitas democraticamente compromete a segurança e o Estado de Direito, postura considerada intolerável pela Casa Branca.

Procurador boliviano entre os principais alvos

O grosso dos penalizados concentra-se na Bolívia, abrangendo especialmente magistrados e promotores. Documentos oficiais apontam que 12 bolivianos perderam vistos ativos, ao passo que outros nove enfrentam bloqueios em eventuais solicitações futuras.

O caso de maior repercussão envolve o procurador-geral boliviano, Roger Mariaca, empossado em 2024 para um mandato de seis anos. Washington o acusa de negociar e aceitar subornos para acobertar o tráfico de drogas, além de blindar criminosos perigosos da atuação judicial.

A administração americana sustenta que os atos imputados a Mariaca sabotam as diretrizes da gestão Trump no combate ao narcoterrorismo e fragilizam o sistema democrático boliviano.

Estratégia de pressão internacional

Além do chefe do Ministério Público boliviano, o pacote punitivo alcança dois colombianos — sendo um parlamentar e um empresário —, dois equatorianos e um magistrado do Peru.

Essas punições refletem uma diretriz recorrente da política externa dos Estados Unidos. O uso de restrições migratórias e o cancelamento de permissões de entrada no território norte-americano funcionam como ferramentas de coerção diplomática contra figuras estrangeiras suspeitas de desvios éticos, laços com cartéis ou sabotagem ao combate ao crime organizado no continente.