Uma intensa briga financeira entre o senador Flávio Bolsonaro e seu antigo parceiro comercial Alexandre Ferreira Dias Santini trouxe à tona mensagens, arquivos e relatos detalhados sobre a trajetória pessoal e a influência política do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
H2 A origem da sociedade e o racha financeiro
O vínculo entre os dois começou nos primeiros anos da década de 2000, estreitando-se quando Flávio ainda exercia o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro. Nessa época, Santini entrou como sócio na Bolsotini Chocolates e Café Ltda., empresa que geria uma franquia da rede Kopenhagen localizada na Barra da Tijuca.
No entanto, o encerramento da sociedade deu lugar a um conflito severo por acertos monetários. Em setembro de 2023, o ex-parceiro encaminhou uma notificação extrajudicial exigindo o pagamento de R$ 1,4 milhão, argumentando ter acumulado prejuízos após o fechamento do estabelecimento comercial. Consta na documentação que o parlamentar teria injetado R$ 200 mil em espécie na abertura do empreendimento, quantia que permaneceu sem resposta oficial pelo senador.
H3 Pressões, ameaças e mensagens expostas
Diante do impasse, Santini iniciou uma campanha de pressão para reaver os valores, acumulando conversas, registros fotográficos, áudios e comprovantes obtidos ao longo de anos de convivência. O material foi empregado como ferramenta de coerção, com avisos de que dados sensíveis capazes de prejudicar a trajetória pública de Flávio Bolsonaro poderiam vir a público.
A contenda invadiu o âmbito familiar quando o ex-sócio abordou Fernanda Bolsonaro, esposa do político, exibindo provas de encontros particulares com garotas de programa que teriam contado com a presença do parlamentar. Em retornos por mensagem, o senador admitiu ter tomado decisões equivocadas, suplicou para que o ex-parceiro abandonasse Brasília e cessasse qualquer contato com sua companheira.
H2 Presentes de alto valor e conexões em Brasília
O acervo mantido por Santini também detalha a convivência do filho do ex-presidente com advogados e empresários influentes na capital federal. Entre os citados está o advogado Alan Belaciano, apontado como amigo próximo e frequentador de uma residência no Lago Sul usada para articulações políticas.
H3 O Rolex de luxo e reformas residenciais
Registros apontam que Belaciano teria financiado mais de R$ 90 mil em aparelhos de ginástica para a academia particular instalada na residência do senador, despesa que o político justificou como empréstimo pessoal intermediado por um colega.
Outro ponto de destaque refere-se a um relógio Rolex Submariner Date em ouro branco, adquirido por Belaciano em fevereiro de 2022 pelo montante de R$ 305 mil, o qual teria sido entregue como presente a Flávio, conforme sugerem as conversas mapeadas.
H2 Articulações políticas e o caso envolvendo ministro do STF
O material documenta ainda aproximações com lobistas interessados em contratos federais, incluindo negociações relativas à vacina Covaxin, além de menções a Fabrício Queiroz, ex-assessor pivô do escândalo das rachadinhas, que recorria a Santini em busca de auxílio financeiro junto aos Bolsonaro.
O ponto mais delicado envolveu o ministro do STF Kassio Nunes Marques. No final de 2023, o ex-sócio confrontou o senador com alegações de que este teria intercedido diretamente junto ao magistrado em favor de um cliente associado a Alan Belaciano, incluindo relatos sobre um jantar na casa do parlamentar com emissários do tribunal. Apesar do teor das cobranças e de uma posterior reunião de conciliação marcada no gabinete, não há comprovação judicial de ilegalidade na conduta de nenhuma das partes envolvidas.
Apesar do histórico de atritos, ameaças e cobranças judiciais, Santini acabou por restabelecer laços cordiais e políticos com Flávio Bolsonaro, manifestando atualmente apoio público ao parlamentar em suas redes sociais, embora todo o material reunido permaneça como registro de um período conturbado da política nacional.




















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