Daniel Vorcaro é investigado por financiar rede de prostituição

Vorcaro é apontado como sócio oculto de rede de prostituição que recrutava refugiadas

Novas evidências indicam que o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, atuou como financiador e sócio oculto de uma organização voltada à exploração sexual internacional a partir do ano passado. O esquema contava com investimentos de R$ 4,3 milhões e utilizava uma casa noturna na capital paulista para o recrutamento de mulheres estrangeiras, gerando apuração por parte da Polícia Federal.

Participação ativa e acordo societário

De acordo com os registros analisados, a atuação do ex-banqueiro ia muito além da frequência aos estabelecimentos. Ele opinava diretamente na escolha das participantes, estipulava remunerações e definia quem continuaria no esquema. Entre os investigados constam Leonardo Serrano, empresário do setor de eventos, e Diogo Batista, promotor que recebia uma mesada de R$ 120 mil do financista.

No final de 2023, o grupo formalizou uma proposta para a compra de metade da Allure Eventos, pertencente a Felipe Nisti Cataldo. O acordo previa o repasse de R$ 1,5 milhão e exigia a contratação de profissionais para demandas específicas, além da criação de uma infraestrutura voltada para receber indicados do investidor.

Recrutamento de refugiadas estrangeiras

As conversas recuperadas detalham a preferência por mulheres de fora do país, incluindo cidadãs da Ucrânia, Rússia, Venezuela, Argentina e Polônia. Um dos casos destacados envolve uma jovem ucraniana de 19 anos, que fugiu do conflito em sua nação e acabou integrada ao grupo após frequentar uma festa temática em outubro de 2023.

Diante da vulnerabilidade da jovem, cujos pais preferiam mantê-la distante da zona de guerra, os envolvidos discutiram a criação de uma agência de fachada para acobertar as atividades. O material probatório aponta que as vítimas eram direcionadas a encontros exclusivos com autoridades e pessoas do círculo íntimo do banqueiro.

Investigação criminal em andamento

Instaurado no mês de maio, o inquérito policial busca esclarecer possíveis crimes de tráfico internacional de pessoas, além do favorecimento à prostituição e a manutenção de locais impróprios. Embora a prostituição não seja considerada crime na legislação brasileira, a estruturação de negócios e a intermediação por terceiros configuram delitos previstos no código penal.