A Mitsubishi Heavy Industries projeta que o apetite global por turbinas a gás continuará em patamares elevados, sustentado principalmente pelo avanço dos negócios no mercado norte-americano.
Demanda recorde impulsionada por inteligência artificial
Conforme projeções da companhia, o volume de solicitações deve igualar ou superar o patamar do ano anterior, ultrapassando novamente a marca de 100 gigawatts. Esse cenário é fortemente estimulado pela proliferação de data centers dedicados à inteligência artificial nos Estados Unidos, que exigem geradores de carga de base ininterruptos, operando 24 horas por dia com total estabilidade.
Como resultado direto desse movimento, a demanda global pelas turbinas alcançou em 2025 o patamar mais expressivo desde o ano 2000, contrariando a expectativa de que as usinas termelétricas perderiam espaço devido à transição energética global.
Carteira de encomendas lotada e alta de preços
A fabricante japonesa — que divide o protagonismo global do setor com GE Vernova e Siemens Energy — opera com uma carteira historicamente robusta, destacando-se a alta eficiência de sua principal linha de produtos, a série J, voltada para usinas de ciclo combinado.
O cronograma de entregas para o período entre 2029 e 2030 já se encontra severamente restrito. Paralelamente, os valores contratuais dos equipamentos registraram uma valorização de 20%, impulsionados pela inflação de matérias-primas, custos de mão de obra, gargalos na cadeia de suprimentos e elevação nas taxas de juros.
Investimentos na capacidade produtiva e desafios sociais
Para suprir esse mercado aquecido, a Mitsubishi Heavy planeja injetar mais de 100 bilhões de ienes — o equivalente a US$ 635 milhões — em suas plantas fabris no Japão e em solo norte-americano, com a meta de duplicar a fabricação de grandes turbinas até o ano fiscal de 2030.
Dados do Goldman Sachs apontam que o consumo elétrico dessas instalações nos EUA deve saltar de 31 GW em 2025 para mais de 66 GW no próximo ano. Contudo, o setor enfrenta certa resistência política e social em algumas regiões norte-americanas, tornando a aceitação pública um fator crucial para a continuidade dos projetos.
Apesar dos debates regulatórios e dos desafios em torno do licenciamento dessas estruturas, executivos do setor reforçam que a indústria de inteligência artificial segue em ritmo acelerado e os investimentos em infraestrutura energética continuam garantidos para os próximos anos.




















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