Alckmin exalta heróis de 1932 em ato que contrasta com visão de Lula

Alckmin homenageia estudantes mortos pela ditadura de Getúlio Vargas, elogiado por Lula

Durante um ato de campanha na Avenida Paulista, o vice-presidente Geraldo Alckmin prestou homenagem a quatro estudantes mortos em 1932 durante a ditadura de Getúlio Vargas, resgatando a memória da Revolução Constitucionalista e alfinetando o bolsonarismo ao afirmar que São Paulo repudia regimes autoritários.

O legado do MMDC

Os estudantes Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo de Camargo Andrade perderam a vida após um confronto no centro da capital paulista em 23 de maio de 1932. As iniciais dos seus sobrenomes deram origem à sigla MMDC, que viria a simbolizar o levante armado deflagrado em 9 de julho daquele ano contra o Governo Provisório.

Contexto histórico da ditadura varguista No período do conflito, Vargas exercia o poder sem uma Constituição válida, tendo fechado o Congresso, destituído governadores e concentrado as decisões no Executivo após a tomada de poder em 1930. A mobilização paulista exigia o retorno da democracia, eleições livres e o fim das intervenções federais no estado, culminando em protestos que terminaram em tiroteio quando sedes governistas e oposicionistas entraram em rota de colisão.

A visão divergente da presidência A exaltação aos mártires paulistas feita por Alckmin contrasta com a postura histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao mesmo ditador. Em diversas ocasiões, como em entrevistas e eventos acadêmicos, Lula manifestou profunda admiração pelo período democrático de Vargas entre 1950 e 1954, destacando conquistas sociais cruciais como a criação do salário mínimo e a consolidação das leis trabalhistas.

Reconhecimento oficial em Brasília A relação do atual governo com a figura do ex-presidente também se consolidou no plano institucional em setembro de 2010, quando Lula sancionou a lei que inseriu Getúlio Dornelles Vargas no Livro dos Heróis da Pátria. Mesmo marcado por fases de forte repressão política e supressão de direitos constitucionais, o antigo governante obteve status de herói nacional por meio da legislação aprovada pelo Congresso.