Armínio Fraga critica reajuste no Bolsa Família e vê eleição

Armínio Fraga vê ‘populismo’ em reajuste do Bolsa Família

O economista Armínio Fraga classificou como populismo o reajuste de 15,04% concedido ao programa Bolsa Família. O anúncio da medida foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e gerou debates sobre a condução das contas públicas no país.

Impacto financeiro e novos valores

O decreto assinado pelo governo eleva o benefício por integrante de R$ 142 para R$ 164. Além disso, o piso mensal por família passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio pago aos beneficiários saltará de R$ 675 para R$ 777.

As projeções econômicas apontam que o impacto adicional nos cofres públicos será de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027. Os pagamentos atualizados começam a ser liberados em 19 de outubro, período estratégico situado exatamente entre o primeiro e o segundo turno das eleições.

Contexto político e justificativa oficial

Para Fraga, que comandou o Banco Central entre 1999 e 2003, a coincidência de datas torna impossível desassociar o reajuste do cenário eleitoral. “O momento, claramente, não dá para dissociar das eleições. Acho que a palavra populismo surge quase que instantaneamente”, declarou o especialista.

Por outro lado, a gestão federal argumenta que a correção serve apenas para repor a inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026, negando a existência de ganho real para as famílias atendidas.

Responsabilidade fiscal em debate

Apesar de admitir que o benefício social estava sem atualizações desde 2023, o economista enfatizou que o país sofre com uma grave deficiência na escolha de prioridades. Segundo sua avaliação, a questão vai além da falta de responsabilidade fiscal na administração do orçamento nacional.

O posicionamento chama atenção no cenário político, visto que o ex-dirigente da autoridade monetária havia declarado publicamente seu voto em Lula durante a disputa presidencial de 2022.