Expansão da IA ameaça gerar tsunami de lixo eletrônico tóxico

Expansão da IA pode provocar “tsunami” de lixo eletrônico, diz relatório

A corrida desenfreada por data centers voltados à inteligência artificial tem potencial para triplicar a quantidade anual de lixo eletrônico tóxico nas próximas décadas, conforme aponta um estudo recente divulgado pela Basel Action Network (BAN).

Crescimento explosivo de data centers

De acordo com os dados levantados pela organização ambiental, a expansão massiva da infraestrutura tecnológica pode resultar em impressionantes 13 milhões de toneladas de resíduos anuais já na virada para a próxima década. O volume acumulado nesse período seria capaz de dar seis voltas completas ao redor do planeta em uma imensa fileira de contêineres.

Essa montanha de descartes engloba substâncias altamente perigosas, tais como chumbo, mercúrio, cádmio e diversos compostos químicos persistentes, além de metais nobres que exigem protocolos rigorosos de recuperação para evitar danos ecológicos.

Impacto na infraestrutura e obsolescência

Para mensurar esse impacto ecológico, a pesquisa calculou uma projeção de 100 gigawatts em novas capacidades computacionais globais até o final da década. O montante abrange desde sistemas complexos de refrigeração e infraestrutura elétrica até pesados racks de servidores específicos para IA, que podem ultrapassar uma tonelada e meia por unidade.

Além disso, a taxa de substituição desses componentes é acelerada. Equipamentos de rede, cabeamentos de cobre e os próprios servidores costumam ser trocados em janelas de dois a cinco anos, impulsionados tanto pelo desgaste térmico gerado pelo alto processamento quanto pela rápida obsolescência tecnológica.

Desafios na reciclagem e cenário nacional

O problema, contudo, já é alarmante no presente. Conforme alerta Jim Puckett, cofundador da BAN, apenas 20% do volume global de resíduos eletrônicos recebe uma destinação correta. O restante frequentemente alimenta o fluxo ilegal de lixo tóxico em direção a nações em desenvolvimento, onde o desmonte ocorre sem proteções ambientais adequadas.

No contexto brasileiro, a produção de detritos tecnológicos já supera 2,4 milhões de toneladas anuais, patamar que tende a escalar ainda mais com o avanço de novos centros de dados no território nacional.

Para especialistas, o ritmo acelerado da inteligência artificial avança sem uma contrapartida regulatória e estrutural para o manejo sustentável dos hardwares. Sem uma reformulação profunda nos métodos de fabricação, reutilização e reciclagem, a revolução digital corre o risco de deixar um legado duradouro de poluição tóxica.