Especialista internacional define sessão do STF como show de horrores

Autoridade mundial em resolução de conflitos define sessão do STF como ‘show de horrores’

Uma recente reunião extraordinária do Supremo Tribunal Federal foi duramente criticada por uma das maiores referências mundiais em negociação e resolução de conflitos, o professor franco-brasileiro Yann Duzert.

Erros crassos na condução do STF Com passagens por instituições de peso como Harvard e criador da metodologia Newgotiation, o especialista afirmou que o nível das discussões e a troca de ofensas verbais entre os magistrados transformaram o encontro em um verdadeiro show de horrores, prejudicando a imagem do Poder Judiciário.

A confusão entre debates jurídicos e ataques pessoais foi apontada como o principal equívoco da reunião, ofuscando temas cruciais como o relatório da Polícia Federal sobre o caso Banco Master.

Falta de regras claras e o desgaste institucional Segundo o pós-doutor, a ausência de um procedimento unificado e compartilhado gerou divergências desnecessárias sobre a condução processual entre os ministros, transformando as próprias regras do jogo no centro da disputa.

A deterioração da confiança mútua também foi destacada. Para o especialista, embora a divergência de opiniões seja saudável em órgãos colegiados, o respeito institucional deve prevalecer para evitar que o debate se torne uma defesa de reputações individuais.

Conflito de interesses e ausência de conclusão O quarto ponto nevrálgico envolveu a gestão de conflitos de interesses, especialmente quando a Corte precisa julgar casos que tangenciam seus próprios integrantes, exigindo mecanismos rígidos de suspeição e impedimento, a exemplo das atuações dos ministros Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques.

Por fim, a incapacidade de entregar um resultado concreto ao fim do encontro coroou a sequência de falhas institucionais.

Para Duzert, a aplicação de técnicas profissionais de mediação não significaria flexibilizar a lei, mas sim resgatar a transparência, a independência e o respeito estrito ao devido processo legal nas instâncias máximas do país.