Bispos criticam Lula após presidente sugerir fim do celibato

Bispos contestam Lula depois de presidente pedir fim do celibato

Declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito do celibato sacerdotal e da ordenação feminina geraram forte reação entre bispos católicos no Brasil. As falas, proferidas durante um encontro com lideranças religiosas no Palácio do Planalto, motivaram vídeos de repúdio publicados por autoridades eclesiásticas neste sábado (19).

Declarações sobre a Igreja Católica

Durante a reunião com representantes evangélicos no dia 16 de outubro, o chefe do Executivo atribuiu a expansão das igrejas evangélicas no Brasil à inclusão das mulheres em condições de igualdade. Na ocasião, o petista afirmou ter conversado com o papa Francisco sobre o tema, sustentando que a Igreja Católica continuará enfrentando dificuldades enquanto mantiver a obrigatoriedade do celibato e proibir que mulheres se tornem padres e bispos.

Reação dos bispos brasileiros

Entre os religiosos que se manifestaram publicamente estão Dom Devair Araújo da Fonseca, bispo de Piracicaba (SP), e Dom Adair José Guimarães, bispo de Formosa (GO). Ambos utilizaram as redes sociais para rechaçar as opiniões do mandatário sobre a organização interna e a doutrina católica.

Dom Devair questionou a postura do governo e argumentou que questões eclesiásticas não competem ao chefe de Estado. O bispo declarou que líderes políticos deveriam focar na administração do país e fez um apelo aos fiéis sobre a importância da consciência política nas urnas, definindo o voto como um ato de sacrifício para a proteção das liberdades.

Por sua vez, Dom Adair José Guimarães defendeu a autonomia milenar da instituição religiosa e classificou as declarações como interferência indevida. O bispo de Formosa ressaltou que a Igreja Católica possui direito divino, tradição e magistério próprios, reforçando que o presidente deve concentrar esforços na gestão da nação em vez de opinar sobre dogmas religiosos.

Contexto político e notas de repúdio

As críticas dos religiosos somam-se a outras manifestações institucionais. A Frente Parlamentar Católica da Câmara dos Deputados também publicou uma nota oficial de repúdio, exigindo respeito à autonomia das comunidades de fé para estabelecer suas próprias convicções doutrinárias. O episódio intensifica o debate sobre as relações entre o poder público e as diretrizes internas das instituições religiosas no país.