Inflação de setembro atinge 0,82% e estoura teto da meta oficial

Inflação oficial de setembro fica em 0,82%, mostra IBGE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,82% em setembro, atingindo o maior patamar mensal desde março de 2026, quando marcou 0,88%. O resultado oficial, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9), veio acima das expectativas do mercado financeiro, que projetava 0,60% segundo o boletim Focus.

Impacto da energia elétrica no orçamento

O peso da conta de luz na alta do IPCA

O principal motor dessa aceleração foi o grupo de habitação, que disparou 2,31% e exerceu o maior impacto individual no índice (0,35 ponto percentual). A alta foi puxada diretamente pelo encarecimento da energia elétrica, cujos preços saltaram 7,98% após uma queda de 7,63% em agosto.

Esse comportamento ocorreu devido ao fim do Bônus de Itaipu, um desconto que havia reduzido a fatura de luz no mês anterior. Como o saldo positivo da hidrelétrica estatal deixou de ser creditado, a comparação com a base mais baixa de agosto gerou um salto expressivo. Analistas apontam que o efeito é pontual e a bandeira verde em outubro deve trazer alívio.

Comportamento dos alimentos e transportes

Alimentos e passagens aéreas sobem em setembro

Depois de três meses de retração, o grupo de alimentação e bebidas voltou a subir, registrando alta de 0,83%. Questões climáticas, como excesso de chuvas e frio, prejudicaram a safra e encareceram itens essenciais. A alimentação no domicílio subiu 0,96%, com fortes altas em produtos como tomate (37,76%), batata-inglesa (24,07%), cebola (10,14%) e arroz (4,56%). Por outro lado, frango (-1,96%) e frutas (-1,12%) registraram recuos.

Já o setor de transportes avançou 0,89%, impulsionado pelo salto de 9,66% nas passagens aéreas e pela alta de 1,41% nos combustíveis, com variações positivas na gasolina (1,21%), etanol (3,16%), diesel (1,69%) e gás veicular (0,10%). No total, o índice de difusão mostrou que 55% dos 377 itens pesquisados ficaram mais caros no período.

Meta de inflação estourada

Acumulado em 12 meses supera o teto governamental

Com o resultado de setembro, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,58%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, permitindo um limite máximo de 4,5%. A última vez que o indicador havia superado esse patamar foi em junho, quando fechou em 4,64%.

As regras atuais determinam que a avaliação considera o acumulado de 12 meses correntes, sendo considerada descumprida se estourar o limite por seis meses consecutivos. Enquanto o grupo de serviços subiu 0,61% no mês e acumula 5,98% em um ano, os preços monitorados saltaram 1,59% em setembro e somam 4,13% no período. O boletim Focus projeta que o IPCA encerre 2026 em 5,01%.