Alerta: Inteligência Artificial na terapia é perigosa

“A inteligência artifical só enxerga o coletivo, e nunca o individual”; alerta psicóloga

Utilizar ferramentas de inteligência artificial como substitutas para o acompanhamento psicológico é uma prática arriscada, especialmente para pacientes com quadros graves ainda não diagnosticados, como a psicose.

Riscos da tecnologia na saúde mental O grande problema dos sistemas automatizados é a incapacidade de enxergar o indivíduo, focando apenas no comportamento coletivo. A avaliação foi feita pela psicóloga e pesquisadora Ana Paula Nunes durante entrevista recente.

Validação excessiva e falta de confronto Diferente de um profissional humano, as plataformas de IA tendem a validar todas as declarações do usuário sem nenhum tipo de questionamento. Essa dinâmica impede o desenvolvimento da autocrítica e pode consolidar crenças distorcidas.

O perigo do enrijecimento psicológico Sem o confronto saudável comum às relações reais, o indivíduo perde a capacidade de lidar com opiniões divergentes. A tecnologia atua como um mero afago emocional, incapaz de capturar nuances fundamentais da comunicação, a exemplo do silêncio e da linguagem não verbal.

Diferença entre apoio e tratamento Embora a tecnologia possa ser útil para informar sobre sintomas de estresse agudo, ela jamais deve substituir a intervenção clínica. Enquanto a terapia convencional busca promover a autonomia do paciente, a máquina fomenta a dependência por meio de um diálogo interminável.

Uso consciente da tecnologia na USP Apesar dos alertas, a pesquisadora integra o Centro de Inovação e Pesquisa em Saúde Mental da Universidade de São Paulo (Cism/USP), onde o grupo estuda o uso de um chatbot no WhatsApp para ampliar o acesso ao suporte psicológico.

O projeto visa democratizar o atendimento para quem vive longe de centros especializados, garantindo segurança de dados e sigilo. Para a especialista, a confiança permanece como o alicerce indispensável de qualquer processo de cura, seja ele mediado por algoritmos ou por especialistas humanos.