Pela primeira vez na história automotiva desde a popularização dos automóveis na década de 1920, os veículos a gasolina representaram menos de 50% das vendas globais de carros novos no primeiro semestre deste ano.
Crise do petróleo impulsiona a queda
A retratação foi puxada principalmente pela disparada nos preços do petróleo, intensificada por conflitos no Oriente Médio e por ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Com a alta generalizada nos combustíveis e o temor de desabastecimento, a demanda por modelos tradicionais despencou.
Excluindo híbridos e eletrificados, as vendas globais de carros movidos exclusivamente a gasolina encolheram 10% na comparação anual, somando 20,25 milhões de unidades. Isso reduziu a fatia de mercado desses veículos para 49%, uma queda expressiva frente aos 73% registrados em 2021. Regionalmente, a retração atingiu 26% na China e 13% na Europa.
Avanço dos carros elétricos no mundo
Diante desse cenário, os carros elétricos ganharam fôlego graças aos seus custos operacionais mais baixos. O volume comercializado saltou 12%, alcançando 6,87 milhões de unidades e atingindo 17% do mercado global, patamar considerado estratégico para a adoção em massa.
A expansão ocorreu de forma desigual pelo planeta. A China, responsável por metade do mercado global de elétricos, registrou baixa de 3% (3,44 milhões de unidades) após cortes em incentivos fiscais. A América do Norte também recuou 15% devido à revogação de subsídios na gestão do presidente Donald Trump.
Por outro lado, a Europa liderou o crescimento com alta de 32% (1,81 milhão de unidades), superando pela primeira vez a marca de veículos a gasolina na região. No Sudeste Asiático, a alta foi de 81% (350 mil unidades), enquanto na Oceania o volume mais do que dobrou, chegando a 110 mil unidades.
O papel da China e a projeção para 2030
Marcas chinesas como BYD e Geely aproveitaram o momento para expandir suas exportações, respondendo por 60% das vendas globais de elétricos e híbridos plug-in. Em mercados fora de Estados Unidos, Europa e China, 55% desses modelos comercializados vieram do país asiático.
Especialistas do setor projetam que os elétricos vão dominar o mercado, representando mais de 30% da produção total de veículos até 2030, superando motores a combustão e híbridos.
Impacto das políticas e o crescimento dos híbridos
Apesar do avanço recente motivado pelo petróleo caro, o ritmo de adoção continua sensível a políticas públicas. A retirada de subsídios nos Estados Unidos e a flexibilização de regras de emissões reduziram a demanda temporariamente, forçando montadoras tradicionais a reverem estratégias.
Ainda assim, especialistas apontam que a tendência é irreversível, pois a maioria dos consumidores de elétricos não retorna aos motores tradicionais e os preços tendem a cair.
Enquanto isso, os veículos híbridos seguem como forte alternativa, especialmente para marcas japonesas. Com alta de 10% e 7,27 milhões de unidades vendidas, os híbridos alcançaram 18% de participação no mercado global, provando que a eficiência de combustível continua atrativa para os consumidores.




















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