Disputa ao Senado na Paraíba vira cabo de guerra entre Brasília

A briga dos sobrenomes na disputa pelo Senado da PB

A corrida pelas vagas no Senado Federal representando a Paraíba ganhou contornos de um intenso confronto com fortes ramificações em Brasília.

O choque entre clã dos Wanderley e família Vital do Rêgo

De um lado da disputa está Nabor Wanderley, cujo filho é Hugo Motta, atual presidente da Câmara dos Deputados. Do outro lado posiciona-se Veneziano Vital do Rêgo (MDB), irmão de Vital do Rêgo Filho, que comanda o Tribunal de Contas da União (TCU). Embora já tenham integrado a mesma base política no passado, os dois postulantes hoje trocam farpas abertamente, transformando cada sufrágio no Estado em um verdadeiro termômetro de força entre a cúpula do Legislativo e a liderança da principal corte de contas do país.

Raízes federais e histórico dos grupos políticos

O histórico de atuação em Brasília das duas famílias ajuda a dimensionar a magnitude dessa queda de braço. A trajetória de Veneziano teve início em 2004, quando assumiu a prefeitura de Campina Grande. Pouco depois, seu irmão ingressou na Câmara Federal e, posteriormente, chegou ao Senado, antes de assumir uma cadeira no TCU em 2014, após uma infrutífera tentativa de conquistar o governo estadual.

Já a projeção nacional de Hugo Motta ganhou destaque em 2015, quando esteve à frente da CPI da Petrobras. Nos bastidores atuais da política paraibana, o deputado Aguinaldo Ribeiro atua estrategicamente junto a Motta, articulando alianças com prefeitos em um escritório localizado em João Pessoa. Vale destacar que a senadora Daniella Ribeiro, irmã de Aguinaldo, figura como suplente na chapa de Nabor. A influência desses grupos na máquina pública federal, contudo, é antiga, remontando a nomeações estratégicas em secretarias de aviação civil ainda na década passada.

Vantagem nas prefeituras e acusações de coação

No cenário municipal do interior paraibano, Nabor Wanderley aparece com vantagem na corrida pelos apoios locais. Levantamentos realizados ao longo do ano demonstraram um crescimento contínuo no número de prefeitos alinhados à sua candidatura, impulsionado pela capacidade de articulação e destinação de recursos capitaneada por seu filho no Legislativo federal.

Em contrapartida, o clima esquentou recentemente após acusações públicas. Hugo Motta veio a público afirmar que seu oponente utilizaria o cargo do irmão no TCU para pressionar e coagir gestores municipais, gerando um clima de ameaça em torno da renovação do mandato de Veneziano.

Conflitos de interesses e rompimento definitivo

A influência da família Vital do Rêgo não se restringe ao território paraibano, havendo registros históricos de articulações para liberação de verbas e reformas aeroportuárias em redutos estratégicos, contando, inclusive, com parcerias firmadas no passado com o próprio grupo de Patos. Contudo, a aliança de outrora ruiu de vez. Com a proximidade do pleito, o rompimento atingiu tal nível que lideranças da Câmara têm exigido exclusividade nos palanques do sertão, cortando qualquer tipo de palanque compartilhado com o antigo aliado.