PrEP injetável garante 90% de proteção contra HIV no SUS

PrEP injetável contra HIV mantém prevenção em 90,8% dos dias, aponta estudo da Fiocruz

Uma pesquisa nacional divulgada recentemente na revista científica The Lancet HIV revelou que o uso do cabotegravir injetável como profilaxia pré-exposição ao HIV assegurou proteção durante 90,8% dos dias monitorados. Em contrapartida, o método oral tradicional, já distribuído na rede pública, registrou efetividade de 35,5% no mesmo período de análise.

Metodologia e abrangência da pesquisa

O levantamento científico foi liderado pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, vinculado à Fiocruz, com o objetivo de testar o medicamento em cenários reais de atendimento médico. O projeto ImPrEP CAB Brasil monitorou 1.201 voluntários, incluindo homens cisgêneros homossexuais e bissexuais, indivíduos não binários, além de homens e mulheres trans, com faixa etária entre 18 e 30 anos.

O recrutamento dos voluntários ocorreu entre outubro de 2023 e setembro de 2024 em capitais e municípios de relevância estratégica, como Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Florianópolis, Manaus e Salvador, estendendo-se o acompanhamento clínico até outubro de 2025.

Diferenças entre as modalidades de prevenção

Enquanto a PrEP oral exige a ingestão diária e rigorosa de comprimidos, a nova alternativa baseia-se em injeções de ação prolongada. Após a fase inicial de adaptação, as doses de manutenção do fármaco injetável passam a ser aplicadas bimestralmente, o que facilitou a rotina dos pacientes e elevou o índice de pontualidade para 92% nos retornos agendados.

Durante o monitoramento, foram identificadas três novas infecções entre os adeptos da injeção, representando uma incidência de 0,20 caso a cada cem pessoas anualmente. No grupo de controle que utilizou os comprimidos diários, o total chegou a 18 novos diagnósticos, resultando em uma taxa de 1,48 caso por cem indivíduos ao ano.

Cenário regulatório e futuro no sistema público

A formulação injetável recebeu o aval da Anvisa em 2023. Recentemente, a pasta federal da Saúde firmou tratativas para a aquisição do produto e encaminhou à Conitec a documentação necessária para debater a inserção do item no atendimento gratuito. A fase de consulta pública foi encerrada, e o órgão técnico analisa os impactos financeiros e terapêuticos antes de emitir um parecer definitivo.

Especialistas reforçam que a profilaxia não substitui os métodos de barreira contra outras infecções sexualmente transmissíveis. Desse modo, o recurso integra uma abordagem multifacetada que engloba o uso de preservativos, exames periódicos e suporte médico contínuo.