Documentos foram apreendidos por agentes nesta quinta-feira, 24, na sede da Terrana, uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país, durante o cumprimento de um mandado de busca. A ação integra a terceira fase da Operação Carbono Oculto, que apura a atuação de organizações criminosas no mercado de combustíveis e a ocultação do controle societário por meio de complexos arranjos financeiros.
A nova fase da investigação
Batizada de Operação Crédito Oculto, esta etapa recente do inquérito examina uma rede que supostamente envolveu uma usina sucroalcooleira, além de fintechs e fundos de investimento.
Conforme aponta o Ministério Público de São Paulo (MPSP), o mecanismo ilícito serviu inicialmente para mascarar os verdadeiros donos da Usina Itajobi, situada no interior paulista, e posteriormente facilitou a compra da distribuidora.
Uso de usina na aquisição
As diligências na Terrana refletem uma apuração sobre o uso de camadas sucessivas de empresas para esconder os beneficiários finais das transações. Todo o material recolhido no local será analisado para detalhar a absorção da distribuidora pelo esquema.
De acordo com as autoridades, houve sobreposição de estruturas para encobrir o controle da produtora de álcool e açúcar e, na sequência, viabilizar a aquisição da distribuidora de combustíveis.
Apontados como chefes do esquema
Os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, são apontados pelas investigações como os líderes da organização. O grupo teria simulado uma transação financeira de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina.
A manobra financeira compreendeu a movimentação de cotas de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios. O rastreamento do dinheiro revelou que grande parte dos valores empregados na aquisição das cotas pertencia a fundos administrados pelo próprio grupo criminoso, que mantinha a fachada de independência por meio de empresas e fundos laranjas.
















Leave a Reply