Uma força-tarefa conjunta envolvendo a Receita Federal e os Ministérios Públicos deflagrou a Operação Perfume de Mulher para desarticular uma rede criminosa especializada no contrabando de cosméticos importados, cujo volume financeiro ultrapassou a marca de R$ 300 milhões.
A rota dos produtos ilegais e a distribuição nacional
Os itens de beleza, com forte foco em marcas de origem árabe, ingressavam no território brasileiro de forma clandestina através da linha de fronteira com o Paraguai, especificamente na região de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul.
Após cruzarem a divisa, as mercadorias eram ocultadas em armazéns provisórios antes de serem redirecionadas aos centros logísticos localizados nos estados de São Paulo e Pernambuco, de onde abasteciam o mercado nacional por meio de plataformas digitais, redes sociais e e-commerces.
Estratégias de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro
Para conferir fachada de legalidade aos negócios ilícitos, o grupo criminoso recorria a artifícios como a emissão de notas fiscais inidôneas, declarações fraudulentas de conteúdo e o uso de pessoas interpostas, conhecidas popularmente como laranjas, para ocultar bens e valores.
A investigação também revelou o envolvimento de influenciadores digitais na promoção comercial dos itens e a utilização de criptoativos para viabilizar as remessas de recursos para o exterior, driblando os mecanismos tradicionais de fiscalização financeira.
Balanço das investigações e medidas judiciais
O histórico da organização criminosa registra mais de 20 interceptações de carga ao longo dos últimos dois anos, destacando-se uma retenção de R$ 10 milhões em cosméticos no final de 2025.
Com base em ordens emitidas pela Justiça Federal, as autoridades cumpriram 16 mandados de busca e apreensão em três estados brasileiros, efetivaram a prisão da suposta líder do esquema e decretaram o sequestro de bens e ativos digitais até o teto de R$ 100 milhões.




















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