Vorcaro diz não lembrar de mensagens atribuídas a Moraes

Vorcaro diz não se lembrar de destinatário de mensagens que PF atribui a Moraes sobre Caso Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro declarou à Polícia Federal (PF) que não tem lembranças sobre o destinatário de mensagens que os investigadores associam ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Os diálogos envolvem apurações e possíveis medidas do Ministério Público Federal (MPF) e da própria PF relacionadas ao Banco Master.

Detalhes do depoimento e registros telefônicos

O depoimento ocorreu no final de agosto, quando o investigado foi questionado acerca de suspeitas de repasse de propina a dirigentes do Banco Central (BC) e de vazamento de dados sigilosos. O delegado responsável exibiu registros extraídos do aparelho celular do executivo, que a corporação aponta como conversas mantidas com o magistrado.

Uma das mensagens, datada de 30 de outubro de 2025, aborda a remarcação de um compromisso de viagem para uma reunião com o ministro, além de citar averiguações do BC sobre a instituição financeira. Na ocasião, o autor do texto menciona o recebimento de dados reservados de dentro do órgão regulador e reclama de pressões exercidas pela PF e pelo MPF.

Anotações e menções a autoridades

Durante a oitiva, o delegado indagou sobre anotações que citavam uma viagem aos Emirados Árabes Unidos, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e indivíduos referidos pelas iniciais “G”, Andrei e Paulo. Os investigadores apontam que as siglas corresponderiam ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Questionado sobre o contexto das anotações, o ex-banqueiro argumentou que precisaria de tempo para se certificar antes de prestar esclarecimentos, evitando assim cometer equívocos. Sobre a letra “G”, ele admitiu que a menção provavelmente se referia a Galípolo.

A defesa informou que o cliente mantém a disposição de colaborar com as autoridades por meio de um acordo de delação premiada. O episódio veio a público após a suspensão do sigilo de um relatório policial pelo ministro André Mendonça, documento que contabilizou dezenas de mensagens trocadas, e o tema deve ser avaliado pelo plenário do STF.