STF restringe acesso a dados do celular de Daniel Vorcaro

STF restringe acesso ao celular de Vorcaro; aparelho tem 500 GB de dados

Os gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal impuseram restrições ao manuseio das cópias digitais retiradas do telefone celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. O conteúdo volumoso, que soma aproximadamente 500 gigabytes de informações, provocou instabilidade na mais alta corte do país após o vazamento de detalhes obtidos no dispositivo.

Investigação e segredo sobre o material

A requisição do material partiu dos próprios magistrados da corte máxima, com o objetivo de esclarecer eventuais lacunas e descobrir novos elementos nas apurações em curso. Contudo, informações de bastidores indicam que um veredito sobre as medidas cabíveis ainda não foi alcançado e tampouco existe um cronograma estabelecido para o encerramento das análises.

Dentro do sistema, os arquivos foram catalogados em diretórios específicos que reúnem mensagens de texto, arquivos de áudio e o histórico de navegação e uso do telefone.

Cuidados com a privacidade e tecnologia forense

Para resguardar a intimidade dos investigados, as equipes dos gabinetes implementaram protocolos rigorosos visando impedir a divulgação de registros de cunho estritamente particular ou que digam respeito a procedimentos sigilosos ainda em andamento.

O processamento do material digital foi realizado pela Polícia Federal por meio do software IPED, ferramenta padrão na análise de evidências cibernéticas. O trabalho pericial incluiu recursos avançados para a recuperação de arquivos deletados ou protegidos por criptografia.

Distribuição das cópias entre os ministros

O repasse do material alcançou diretamente os gabinetes de Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques. A Polícia Federal assegurou que as mídias repassadas são cópias fiéis do espelhamento original, que continua sob rigorosa custódia da corporação policial.

Essa liberação de documentos aconteceu no contexto de um embate interno na cúpula do Judiciário pela posse irrestrita do conteúdo. Antes mesmo de uma deliberação oficial do presidente da casa, Edson Fachin, magistrados como Zanin e Gilmar exigiram o repasse, tendo inclusive ordenado o envio diretamente à corporação policial.

Histórico do aparelho e controvérsias

A apreensão do telefone ocorreu em novembro de 2025, durante operação da Polícia Federal. As informações recuperadas expuseram conexões com figuras influentes dos Três Poderes, impulsionando novas frentes investigativas.

Entre os relatórios produzidos a partir da extração, destacam-se registros de interações atribuídas a Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, totalizando dezenas de menções e encontros, além de um contrato comercial firmado entre a instituição financeira e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, cônjuge do magistrado.

Em sua defesa, Moraes refuta as conclusões elaboradas pela polícia, argumentando que a corporação interpretou erroneamente anotações pessoais do empresário como se fossem mensagens direcionadas a ele, e nega categoricamente qualquer tipo de favorecimento ao banqueiro ou à sua instituição financeira.