A responsável pela cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, a produtora Karina Ferreira da Gama, rejeitou veementemente qualquer envolvimento com verbas públicas ou conexões com o ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, no financiamento do longa-metragem Dark Horse.
A origem dos recursos privados do projeto
Em entrevistas concedidas antes de o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, suspender o sigilo de trechos do inquérito, a produtora esclareceu que a obra cinematográfica custou US$ 13,3 milhões, valor abaixo da previsão inicial de US$ 24 milhões. Ela garantiu que todo o montante veio de fontes estritamente privadas.
Segundo Karina, a contratação de sua empresa ocorreu por intermédio do fundo de investimentos Havengate, apontado como o aporte financeiro inicial. A executiva pontuou que não teve gerência ou participação na estruturação do fundo.
O avanço das investigações no STF
As conexões entre o empresário Daniel Vorcaro e o fundo norte-americano estão sob escrutínio da Suprema Corte. O ministro André Mendonça validou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, na quarta-feira (9).
Conforme o relato do delator, foram efetuadas sete remessas financeiras totalizando US$ 12,3 milhões para a Havengate Development, sediada no Texas, entre janeiro e setembro de 2025. A delação aponta que tais transferências teriam ocorrido por ordem de Vorcaro, após solicitações do senador Flávio Bolsonaro. Vale destacar que a homologação do acordo não valida automaticamente as acusações.
Esclarecimentos sobre emendas parlamentares
Questionada sobre repasses estatais, a cineasta foi categórica ao afirmar que o filme não recebeu nenhum centavo de emendas parlamentares. Ela pontuou que os recursos públicos recebidos por instituições sob sua presidência foram direcionados exclusivamente a iniciativas sociais.
Um exemplo citado foi o projeto Lutando pela Vida, voltado ao ensino de artes marciais para público de várias idades, viabilizado por uma verba emendada em 2023 e quitada em 2025.
Frentes de apuração na Polícia Federal
Apesar das negativas, a Polícia Federal analisa a suposta aplicação indevida de emendas em acordos associados à produtora, tema que motivou a deflagração da Operação Make Up na quinta-feira (10).
Atualmente, o STF conduz duas frentes distintas sobre o tema: a apuração sobre o suposto desvio de emendas parlamentares, sob a tutela de Flávio Dino, e a investigação sobre os repasses financeiros atribuídos a Vorcaro, relatada por André Mendonça.
















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