Paulo Motoryn defende autocrítica no jornalismo brasileiro

Falta análise crítica: Paulo Motoryn defende que o jornalismo deve fiscalizar e questionar a própria imprensa

O papel da mídia na sociedade contemporânea exige uma postura de constante vigilância, inclusive sobre o próprio setor. Essa foi a principal tese defendida pelo jornalista investigativo e analista político Paulo Motoryn durante participação no programa Jornal da Cidade, realizada nesta terça-feira (29).

Os perigos dos cortes fora de contexto

Para o especialista, a obsessão atual por audiência rápida através de recortes fragmentados nas redes sociais acaba por enfraquecer o debate político nacional. Motoryn enfatizou que a prioridade dos veículos de comunicação tradicionais deve ser o fornecimento de contexto e sentido aos acontecimentos, e não a reprodução de material sensacionalista.

O analista argumentou que a imprensa tem o dever de esclarecer os fatos, distanciando-se de práticas que visam apenas alimentar controvérsias passageiras.

A necessidade urgente de autocrítica na mídia

Outro ponto central abordado na entrevista foi a escassez de análise crítica interna dentro do ecossistema midiático brasileiro. Segundo Motoryn, a falta de escrutínio sobre o trabalho dos grandes conglomerados de comunicação e de colegas de profissão é prejudicial para a democracia.

Sem essa fiscalização mútua, o setor corre o risco de permanecer sob o controle hegemônico de poucas famílias e grupos econômicos detentores dos principais veículos de comunicação do país.

O compromisso com um modelo de apuração rigoroso e independente foi reafirmado pelo profissional, que reconheceu que sua postura fiscalizadora pode gerar resistências, mas reafirmou sua convicção na relevância de questionar a atuação da própria imprensa.