Panelaço em SP contra Alexandre de Moraes antecede julgamento no STF

Paulistanos fazem panelaço contra Moraes na véspera de julgamento no STF

Moradores de diversos bairros de São Paulo realizaram um panelaço na noite desta segunda-feira, 14, em protesto contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação popular acontece justamente na véspera de uma sessão histórica e inédita na mais alta Corte do país, que irá deliberar se um de seus integrantes deve ou não ser investigado formalmente.

Protestos em bairros paulistanos

Registros compartilhados amplamente nas redes sociais mostraram cidadãos nas janelas, batendo panelas e entoando gritos de protesto em regiões como Santa Cecília, Higienópolis, Jardim Paulistano e Itaim-Bibi. No Itaim-Bibi, o ato teve início por volta das 20h30 e se estendeu por quase dez minutos, com manifestantes expressando palavras de ordem contra o magistrado e contra o Partido dos Trabalhadores.

Publicações ligadas aos atos definiram a mobilização como um repúdio à suposta corrupção no tribunal, exigindo o afastamento de Moraes. Personalidades públicas, a exemplo do ex-secretário de Imprensa Fabio Wajngarten, repercutiram os vídeos e afirmaram nas redes sociais que a paciência da população teria chegado ao limite.

Sessão extraordinária no Supremo

O presidente do STF, Edson Fachin, agendou para as 10h desta terça-feira, 15, uma sessão extraordinária do plenário. O objetivo do encontro é avaliar se existem indícios suficientes para autorizar uma investigação contra Moraes, em decorrência de sua proximidade com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Trata-se de um momento sem precedentes na história recente do Judiciário brasileiro, uma vez que o plenário precisará decidir se um próprio ministro da Corte será alvo de inquérito. É importante destacar que o julgamento não analisará eventual culpa do magistrado, mas tão somente a viabilidade jurídica para o início das apurações.

Contrato milionário e mensagens sob suspeita

O centro da controvérsia envolve relatórios da Polícia Federal baseados em dados extraídos do celular de Vorcaro, onde foram encontradas conversas com o ministro. Além disso, a investigação colocou sob escrutínio as relações comerciais entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, que tem entre seus sócios Viviane Barci de Moraes, esposa do integrante do STF.

Firmado pelo prazo de três anos, o contrato previa o repasse de R$ 131 milhões em troca de serviços de advocacia e consultoria estratégica perante órgãos federais, incluindo o Banco Central, a Receita Federal, o Cade e a própria Polícia Federal.

Metadados do arquivo digital recuperado do aparelho do ex-banqueiro indicaram que a versão final do documento sofreu edição por um usuário cadastrado como Ministro Alexandre de Moraes. Enquanto a defesa jurídica confirmou a consulta do magistrado ao material para averiguar possíveis impedimentos legais, o próprio ministro negou a existência de qualquer irregularidade no episódio.

Diante do impacto das revelações, o STF enfrentou instabilidade interna e divergências sobre como conduzir as apurações do caso Banco Master. Com a intervenção de Fachin para unificar a condução do processo e a convocação do plenário, o cenário político e jurídico brasileiro aguarda os desdobramentos desta decisão coletiva que pode redefinir os rumos da Corte.