O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes protocolou, nesta terça-feira, 15, uma manifestação com 44 páginas para tentar bloquear o avanço das investigações que o associam ao caso Banco Master.
Acusações de farsa e suposição de ingerência externa
Dividido em 121 tópicos, o documento foi entregue momentos antes do julgamento e nega qualquer diálogo entre o magistrado e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na peça, Moraes acusa o colega de corte André Mendonça de liderar uma “farsa incriminatória”, empregando a palavra “ilegal” em 26 ocasiões para classificar a atuação do ministro.
A defesa argumenta que o relatório da Polícia Federal (PF) carece de indícios de crime e aponta falhas nos metadados do documento. Segundo a tese apresentada, o arquivo teria sido finalizado no mesmo dia e contado com o auxílio de órgãos externos, possivelmente estrangeiros, o que configuraria quebra na cadeia de custódia. Além disso, o texto aponta uma suposta interferência de fora nas eleições de 2026.
Contestação sobre contratos e dados de celulares
A manifestação também aborda os registros encontrados no celular de Daniel Vorcaro, incluindo 52 anotações em blocos de notas. Moraes afirma que 47 delas não constam em conversas de WhatsApp e que os arquivos restantes apresentam apenas coincidência temporal, sem comprovação de envio. É justamente nesse trecho que o documento apresenta um desvio gramatical de concordância ao tentar invalidar as provas.
Em relação à família do ministro, a defesa confirma que os dois filhos advogados receberam ofertas de cartões de crédito do banco, mas assegura que nunca foram utilizados. Sobre o escritório de advocacia de sua esposa, Moraes nega a existência de um segundo contrato com empresas ligadas a Vorcaro no valor de até R$ 50 milhões, sustentando que a proposta jamais foi assinada. O primeiro vínculo, de R$ 131 milhões, teve intervenções do ministro apenas para cumprir exigências de compliance.
Testemunhas e desdobramentos no plenário
O ministro anunciou que pedirá ao presidente do STF, Edson Fachin, a intimação de testemunhas que teriam presenciado pressões de Mendonça sobre delegados da PF para que investigassem Moraes. Esse trecho da peça também recebeu críticas por deslizes na norma culta da língua portuguesa.
Enquanto Fachin separou a análise dos procedimentos em duas frentes e negou o pedido de julgamento conjunto feito por Moraes, cabe agora ao plenário da Suprema Corte decidir se acolhe a tese de nulidade ou se mantém o andamento das apurações.
















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