Maersk aposta no Brasil e aponta gargalos na logística nacional

‘O Brasil precisa baratear e dar escala à sua logística’, diz presidente regional da Maersk

O Brasil se consolidou como um dos cinco mercados mais estratégicos do mundo para a gigante global de transportes Maersk. Mesmo diante de barreiras comerciais internacionais, como cotas chinesas e restrições da União Europeia, a companhia dinamarquesa projeta expansão contínua de suas atividades no país para os próximos anos.

Investimentos bilionários e infraestrutura no Brasil

Com uma trajetória centenária em solo brasileiro, o grupo injeta anualmente mais de R$ 1 bilhão na manutenção e ampliação de armazéns, depósitos e terminais próprios. Atualmente, a corporação possui participação ou operação direta em quatro terminais no território nacional, além de um projeto 100% próprio no Porto de Suape, que recebeu aportes de R$ 2 bilhões e deve iniciar as atividades em breve.

Para sustentar essa operação, a estrutura conta com dez centros logísticos voltados ao suporte de contêineres e ao atendimento de uma vasta gama de mercadorias, que vão desde alimentos congelados até produtos manufaturados.

Resiliência diante de crises globais e gargalos locais

A cadeia de suprimentos enfrentou testes severos recentemente, incluindo tarifas impostas pelos Estados Unidos, conflitos no Oriente Médio e os impactos climáticos do fenômeno El Niño, que provocou forte estiagem na Região Norte e exigiu monitoramento constante do nível dos rios. Apesar disso, o modelo integrado de negócios — que engloba desde navios e caminhões até armazéns refrigerados — permitiu que a empresa recalculasse rotas e mantivesse o fluxo de entregas.

O futuro do transporte de cargas no país

Para o comando regional da multinacional, o principal desafio para o avanço econômico do país reside na infraestrutura. A avaliação é de que o Brasil precisa urgentemente baratear e dar escala à sua logística.

Um dos exemplos citados é o Porto de Santos, o maior da América Latina, que conta com apenas um terminal conectado diretamente à malha ferroviária. Além disso, a alta taxa de ocupação dos portos brasileiros reduz drasticamente a margem de manobra operacional durante períodos de condições climáticas adversas, evidenciando a necessidade de modernização contínua nos modais de transporte.