Lula defende proibição de bets e diz que impacto no futebol é baixo

Proibição das bets ‘não traz nenhum prejuízo para o futebol’, afirma Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a interdição das plataformas de apostas online, conhecidas como bets, não trará danos financeiros significativos para o futebol brasileiro.

Impacto financeiro das apostas esportivas

Durante um evento dedicado ao fomento do futebol feminino, o chefe do Executivo estimou que os acordos de patrocínio com essas empresas respondem por menos de 7% do faturamento total das equipes. O governante argumentou que os times precisam buscar novas fontes de renda e sugeriu que as companhias do setor migrem para outras áreas de atuação.

Para fundamentar seu posicionamento, o presidente relembrou que a era de ouro da Seleção Brasileira ocorreu muito antes da proliferação dessas empresas no mercado esportivo. Segundo ele, as Copas do Mundo de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 foram conquistadas sem qualquer apoio financeiro desse segmento.

Regulamentação e bloqueio das plataformas

A manifestação do líder político acontece em meio a forte resistência de cartolas e agremiações esportivas contra a recente Medida Provisória assinada na última sexta-feira, dia 25. O texto legal bane em todo o território nacional a oferta, a operação, a intermediação e a publicidade de jogos online e apostas de quota fixa, invalidando inclusive licenças concedidas por governos estaduais e distrital.

O cronograma estabelecido pelo governo determina que os usuários têm até o dia 5 de outubro para resgatar saldos e prêmios pendentes nas plataformas. A partir do dia 6 do mesmo mês, o bloqueio total dos sites e aplicativos de apostas entra em vigor no país.

Ações judiciais e impasse político

Enquanto o governo defende a medida, o setor empresarial já iniciou uma ofensiva jurídica. A Associação Nacional de Jogos e Loterias e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável protocolaram ações no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar derrubar a MP, sob a relatoria do ministro Luiz Fux.

No âmbito executivo, o Ministério do Esporte adiou por motivos logísticos uma reunião com dirigentes esportivos que aconteceria para debater os reflexos da restrição nos contratos publicitários. O encontro foi postergado sem nova data definida, em um cenário marcado por tensões e ameaças de boicote por parte dos clubes.