Dino dá 90 dias para governo revisar normas da CVM e cita Master

Em ação sobre taxa da CVM, Dino dá 90 dias para revisão de regras e cita Master

O ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal, determinou que o governo federal promova a reestruturação de normas que regulamentam o setor financeiro nacional.

Prazos e articulação com a Fazenda

A determinação estabelece o prazo improrrogável de 90 dias para que a União entregue as conclusões referentes à revisão das diretrizes, processo que deverá ser conduzido sob a supervisão direta do Ministério da Fazenda.

A medida foi tomada no contexto de um processo judicial que inicialmente discutia a Taxa de Fiscalização dos Mercados de Títulos e Valores Mobiliários, mas que acabou expandindo seu escopo para abranger o Grupo Master e investigações sobre lavagem de dinheiro.

Falhas estruturais e o Grupo Master

Para fundamentar sua decisão, o magistrado utilizou relatórios da Transparência Internacional Brasil e dados fornecidos pelo Grupo de Trabalho Master, criado pela própria autarquia em fevereiro para centralizar dados sobre entidades associadas.

De acordo com a determinação judicial, o grupo de trabalho detectou fragilidades expressivas nos procedimentos internos de fiscalização, incluindo o arquivamento indevido de uma denúncia recebida em 2022 que alertava sobre fraudes ligadas ao Banco Master, como manipulação de preços e uso de ativos sem liquidez.

Críticas à Resolução 175

O ponto central das contestações recai sobre a Resolução 175, norma promulgada no final de 2022 que rege os fundos de investimento no país.

Dino apontou que o texto regulatório gerou o que classificou como “permissividade sistêmica”, ao autorizar investimentos em cascata entre fundos equivalentes sem impor limites máximos, o que prejudica a transparência das transações.

O magistrado destacou que tais estruturas dificultam a apuração da verdadeira origem dos recursos, enfraquecendo os protocolos voltados para o combate à lavagem de capitais e o controle de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios.

Conexões com o crime organizado

Segundo a avaliação do ministro do STF, os entraves na supervisão regulatória transcendem a esfera econômica e facilitam a infiltração de organizações criminosas dedicadas ao narcotráfico, corrupção, tráfico de armas e desvio de verbas públicas.

Por fim, o documento judicial também alerta para o risco de vulnerabilidades sistêmicas servirem de suporte para esquemas de suborno envolvendo a comercialização de sentenças no âmbito do sistema de justiça.