STF muda mira no caso Master e recua sobre André Mendonça

Sem material contra Mendonça, ministros devem mirar Nunes Marques

Magistrados do Supremo Tribunal Federal que examinaram os dados dos telefones celulares do banqueiro Daniel Vorcaro não identificaram, até o momento, qualquer evidência comprometedora envolvendo o ministro André Mendonça. O material começou a ser analisado pelos integrantes da Corte nesta semana.

Alívio para Mendonça nos bastidores

Com a ausência de elementos incriminatórios, a postura dos ministros em relação a Mendonça deve passar por uma reviravolta. Fontes próximas aos magistrados indicam que a pressão sobre ele tende a arrefecer nas próximas semanas. Em contrapartida, as atenções e críticas dos pares devem se voltar para o ministro Nunes Marques, cujos laços com o banqueiro ganharam maior repercussão pública.

O novo panorama surge após semanas de forte investida contra Mendonça. O ministro Alexandre de Moraes chegou a requerer a apuração da conduta de Mendonça em razão de sua atuação nos desdobramentos envolvendo o Banco Master. Inclusive, na sessão plenária realizada em 15 de setembro, Moraes e Gilmar Mendes fizeram contundentes restrições a Mendonça durante debates sobre o andamento do processo.

Pressão política e apoio evangélico

A análise preliminar do conteúdo telemático de Vorcaro não revelou fatos novos que sustentem as suspeitas anteriores. Pessoas próximas à cúpula do tribunal avaliam que continuar com as investidas sem novas provas geraria um desgaste desnecessário para a própria instituição. Além disso, pesa a favor de Mendonça o forte respaldo de lideranças religiosas no Congresso Nacional, cuja articulação nos bastidores ajudou a conter a ofensiva dos colegas.

O foco em Nunes Marques e as conexões do Master

A situação de Nunes Marques difere da de seu colega de corte. Registros extraídos do telefone de Vorcaro mencionam Kevin Marques, filho do magistrado. De acordo com diálogos divulgados recentemente, um ex-diretor jurídico do banco citava repasses mensais de R$ 500 mil.

Kevin negou o recebimento dessa quantia ou qualquer repasse direto do banqueiro, embora tenha admitido a prestação de serviços para a Consult Inteligência Tributária, recebendo R$ 281,6 mil. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Banco Master repassou um total de R$ 6,6 milhões à referida empresa.

Outros trechos das conversas apontam para as siglas “KN” e menções à chamada “Turma do KN”. Por sua vez, o ministro nega qualquer tipo de favorecimento à instituição financeira e assegura que jamais autorizou terceiros a agirem ou falarem em seu nome.

A ligação com Ciro Nogueira

O escândalo também coloca sob escrutínio uma antiga aliança política. O senador Ciro Nogueira foi o responsável por indicar o então desembargador do TRF-1 para a vaga no Supremo, assumida após a aposentadoria de Celso de Mello, período anterior à sua gestão na Casa Civil.

Atualmente, a Polícia Federal investiga suspeitas de vantagens indevidas ligadas tanto ao parlamentar quanto ao banqueiro, o que já resultou em ordens de busca, apreensão e bloqueio de ativos. As investigações sobre Ciro Nogueira tramitam justamente sob a relatoria de André Mendonça, que nega irregularidades, fechando um ciclo complexo de disputas e alianças nos bastidores do poder em Brasília.