Nubank mira licença própria nos EUA e foca em milhões de clientes

Nubank quer licença própria nos EUA e mira mercado entre 100 e 150 milhões de clientes

O Nubank planeja conquistar uma licença bancária nacional definitiva nos Estados Unidos. A revelação foi feita por Cristina Junqueira, cofundadora da fintech e CEO da operação americana, durante o anúncio oficial da chegada do grupo ao país por meio dos serviços de banking as a service (BaaS) do Lead Bank.

Estratégia de transição para banco próprio

A expectativa da liderança executiva é obter a autorização regulatória final até o próximo ano. Segundo a executiva, a parceria atual utiliza uma infraestrutura tecnológica avançada, mas o objetivo final é operar com autonomia plena. Quando a aprovação for concedida, a transição para a nova estrutura será realizada de forma planejada e sem atritos para os correntistas.

O CEO global do grupo, David Vélez, destacou que o público-alvo inicial compreende entre 100 milhões e 150 milhões de pessoas que estão atualmente desbancarizadas ou sub-bancarizadas no território americano.

Vantagem competitiva contra os grandes bancos

O foco inicial deve mirar a comunidade hispânica nos Estados Unidos, que já demonstra familiaridade com a marca, embora o escopo seja mais amplo. Questionado sobre a concorrência de outras fintechs, Vélez enfatizou que o verdadeiro desafio é enfrentar os bancos tradicionais, que ainda dominam 95% do sistema financeiro local.

O executivo apontou ineficiências marcantes nos incumbentes americanos: Entre 60% e 70% dos depósitos não oferecem remuneração. A taxa média paga aos clientes é de apenas 0,4%, enquanto os juros básicos variam de 4,5% a 5%. As tarifas mensais cobradas dos usuários variam entre US$ 5 e US$ 15.

Enquanto os grandes bancos continuam expandindo suas agências físicas e elevando os custos operacionais — onde o custo de servir atinge quase US$ 20 por cliente —, o Nubank opera com um custo estimado em apenas US$ 1 por usuário.

Potencial de receita e investimentos planejados

Devido a fatores como câmbio, renda per capita e penetração de crédito, a receita gerada por um único cliente americano equivale a quase dez brasileiros. Isso significa que alcançar 10 milhões de correntes nos EUA trará um impacto financeiro proporcional a 100 milhões de clientes no Brasil.

Para financiar essa expansão internacional, a instituição está disposta a sacrificar até 100 pontos-base do seu índice de eficiência, o que representa aportes estimados por analistas entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões. A fase de testes de adequação ao mercado ocorrerá nos próximos 12 a 24 meses.

Cenário regulatório favorável e mercado interno

Com a transição no governo de Donald Trump, a avaliação interna é de que os reguladores americanos estão mais receptivos à entrada de novos players para estimular a concorrência. A equipe inicial nos EUA contará com um grupo enxuto de 50 a 60 colaboradores, seguindo a estratégia tradicional da empresa de iniciar operações com times reduzidos.

Apesar da ofensiva internacional e do lançamento da conta global para 35 países, a administração reforça que ainda existe enorme espaço para expansão nos mercados latino-americanos. Como a receita média por usuário (ARPAC) da fintech no Brasil é de US$ 17 frente aos US$ 45 dos grandes bancos locais, a companhia enxerga potencial para duplicar ou triplicar de tamanho apenas no mercado brasileiro.