A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que recentemente determinou a censura a uma transmissão da TV Globo e provocou o cancelamento de um debate presidencial, possui um registro público de contribuições financeiras para campanhas de políticos de esquerda. Dados confirmados na Justiça Eleitoral mostram repasses a nomes ligados ao Psol e ao PT ao longo dos anos.
Histórico de doações eleitorais
O repasse mais recente ocorreu nas eleições de 2022, quando a magistrada destinou R$ 750 para a campanha de Erika Hilton, que viria a conquistar uma cadeira de deputada federal por São Paulo. Anos antes, em 2018, a então advogada transferiu R$ 1 mil para apoiar a candidatura de Jean Wyllys, também filiado ao Psol na época, que garantiu um novo mandato pela Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro.
O envolvimento com siglas de esquerda remonta a períodos anteriores. Nas eleições municipais de 2004, Estela repassou R$ 800 para a campanha de Nabil Bonduki, filiado ao PT, que concorria a uma vaga de vereador em São Paulo e terminou na suplência.
Apoio público e trajetória no governo federal
Além das transferências de recursos, a atuação pública da magistrada inclui manifestações partidárias explícitas. Durante o pleito presidencial de 2022, ela gravou um vídeo em que pedia votos para o candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva.
Advogada de formação, Estela ampliou sua inserção na máquina pública após a vitória de Lula. Entre janeiro de 2023 e março de 2024, integrou a equipe do Ministério da Justiça e Segurança Pública sob a gestão de Flávio Dino, exercendo cargos como assessoria de ministro e a secretaria de Direitos Digitais.
Posteriormente, atuou como assessora especial da Presidência da República de setembro de 2024 até fevereiro de 2025. Deixou o Palácio do Planalto para integrar o gabinete da presidência do TSE, na gestão da ministra Cármen Lúcia, antes de assumir oficialmente a cadeira de ministra da Corte Eleitoral em 5 de agosto do ano passado, após indicação do Executivo.
A decisão sobre o debate presidencial
No exercício do cargo no TSE, Estela acolheu uma representação do PT e emitiu uma decisão monocrática proibindo a TV Globo de exibir um púlpito vazio para simbolizar a ausência do candidato petista no debate. Em sua fundamentação, argumentou que o formato poderia constranger o concorrente.
A determinação da ministra, somada a uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) assinada pelo ministro Gilmar Mendes sobre a inclusão de outro candidato no evento, levou a emissora a cancelar o debate. Em nota oficial, o canal alegou sofrer com insegurança jurídica e interferência indevida na atuação jornalística.
















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