Mensagens de Vorcaro expõem cúpula da PF e da PGR

Como os pedidos de Vorcaro alcançaram o comando da PGR e da Polícia Federal

Investigações da Polícia Federal revelam que o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, tentou articular o adiamento de uma operação policial às vésperas de sua prisão, ocorrida em novembro de 2025. O banqueiro buscou intervenção junto ao ministro Alexandre de Moraes para tentar barrar a ação das autoridades.

As mensagens enviadas a Alexandre de Moraes

De acordo com relatório de 218 páginas tornado público pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, Vorcaro enviou mensagem questionando se seria possível “segurar” a situação com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O empresário alegava que o banco correria risco de quebra caso a investida policial não fosse postergada para depois de um feriado.

O material periciado aponta que o banqueiro também mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sugerindo que o magistrado ajudasse a sensibilizar os chefes das instituições de segurança e justiça para evitar providências contra a instituição financeira.

Encontros em Londres e repercussão institucional

Além das tratativas sobre a operação, o documento traz registros de conversas indicando a participação de Paulo Gonet em eventos internacionais organizados por pessoas ligadas a Vorcaro. As menções incluíam diálogos sobre encontros na capital britânica e a inclusão do filho do procurador-geral nas atividades.

Após a quebra de sigilo do relatório, a Procuradoria-Geral da República solicitou a anulação do documento, alegando falhas no controle externo da atividade policial e questionando a competência do relator no STF. Paralelamente, o Conselho Superior do Ministério Público Federal instaurou um procedimento para apurar as citações a Gonet a pedido de parlamentares.

Desdobramentos no Supremo Tribunal Federal

O caso provocou um desgaste institucional na cúpula dos Três Poderes. Enquanto Mendonça propôs que o plenário do STF avalie o conteúdo das mensagens, Moraes reagiu protocolando um pedido de investigação contra o colega de corte por supostos crimes de responsabilidade e abuso de autoridade.

A presidência do STF decidiu realocar o pedido de investigação para outro procedimento, determinando que tanto a PGR quanto o relator sejam ouvidos antes de qualquer veredito sobre o caso que abalou as relações entre o Judiciário, a Polícia Federal e o Ministério Público.