O ministro André Mendonça, relator das apurações sobre o Banco Master na mais alta Corte do país, encaminhou neste domingo, 6, para análise em plenário o processo que contém o relatório da Polícia Federal com mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes.
Próximos passos no Supremo
Com essa movimentação, o magistrado encerra sua atuação direta nesta etapa do caso. Agora, cabe ao presidente do tribunal, Edson Fachin, estipular o formato e o cronograma para a apreciação da matéria, conforme já havia defendido o próprio relator anteriormente.
Mendonça já havia pontuado que o processo deveria obrigatoriamente ser remetido ao plenário, independentemente do posicionamento oficial da Procuradoria-Geral da República. O procurador-geral, Paulo Gonet, posicionou-se pela anulação do documento, argumentando que nem o órgão ministerial nem a corporação policial haviam solicitado a produção de tal apuração.
Conteúdo das mensagens e contrato milionário
O documento em questão foi elaborado por ordem do relator com o objetivo de mapear os receptores dos recados enviados pelo banqueiro. A investigação policial concluiu que os diálogos obtidos do telefone de Vorcaro continham tentativas de contato com Alexandre de Moraes durante o período crítico envolvendo a instituição financeira.
Entre as conversas recuperadas, o executivo questionava formas de contornar a crise, mencionava a possibilidade de sensibilizar figuras de poder e chegou a indagar se deveria deixar o território nacional.
O levantamento da Polícia Federal também expôs detalhes sobre um acordo financeiro de R$ 131 milhões estabelecido entre o banco e o escritório jurídico de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Conforme os registros, o magistrado teria realizado alterações no texto antes de sua formalização.
Crise interna e desdobramentos
A publicidade dada ao material ocorreu após a queda do sigilo determinada no dia 1º, o que gerou forte atrito nos bastidores da Corte.
Em resposta, Moraes protocolou um pedido para investigar Mendonça, imputando acusações de abuso de poder, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução das diligências envolvendo o Banco Master e o INSS. O pleito inicial foi feito no inquérito das fake news, mas Fachin deslocou o tema para uma relatoria própria e exigiu explicações formais de Mendonça, Moraes, Gonet e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Diante do cenário, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal solicitou no sábado, 5, que o procurador-geral se declare suspeito para atuar no caso, sob a alegação de que o próprio chefe do Ministério Público estaria mencionado nas conversas interceptadas. Fachin declarou que o tribunal dará uma resposta firme e proporcional, respeitando estritamente os trâmites legais.













Leave a Reply