Fim de uma era: o declínio histórico do backhand de uma mão no tênis

US Open testemunha desaparecimento do backhand de uma mão

O US Open presenciou muito mais do que a eliminação de um atleta em quadra: o torneio marcou o fim de uma era para um dos golpes mais tradicionais e elegantes da modalidade.

O fim de uma tradição nos Grand Slams

A queda do grego Stefanos Tsitsipas em Nova York sacramentou uma marca negativa inédita em 150 anos de história. Pela primeira vez, nenhum tenista adepto do backhand de uma mão alcançou as semifinais em qualquer um dos quatro torneios do Grand Slam na temporada.

Presente desde a primeira edição de Wimbledon em 1877, o golpe foi a principal arma de lendas ao longo das décadas. Nomes como John McEnroe e Ivan Lendl nos anos 1980, seguidos por Pete Sampras, Stefan Edberg, Gustavo Kuerten e o mestre Roger Federer, eternizaram a técnica.

A extinção dos dinossauros das quadras

Atualmente, a técnica sobrevive de forma extremamente rara no circuito profissional. No ranking masculino dos 100 melhores, apenas cinco atletas utilizam o golpe regularmente: Lorenzo Musetti, Denis Shapovolta, Stefanos Tsitsipas, Daniel Altmaier e Aleksandar Kovacevic. Entre as mulheres do Top 100, o cenário é semelhante, representado apenas por Diane Parry, Lilli Tagger, Viktorija Golubic e Tatjana Maria.

O próprio Tsitsipas resumiu a situação com bom humor melancólico: somos como dinossauros em processo de extinção. Dados estatísticos corroboram a fala do grego: enquanto na década de 1950 cerca de 97% ou 98% dos atletas adotavam o método, hoje o índice despencou para minguados 2% ou 3%.

Motivos da mudança e a perda de estilo

Especialistas apontam que a aceleração do jogo moderno, aliada às características das superfícies das quadras, impulsionou a migração para o backhand de duas mãos, considerado mais vantajoso em termos de potência e controle.

Para além da biomecânica, atletas veteranos lamentam a perda de identidade no esporte. Com a unificação dos estilos de jogo e a predominância das duas mãos, o circuito perde a variedade tática que antes contava com variações como saque-e-voleio e diferentes personalidades em quadra.

Mesmo diante do cenário desfavorável, ícones do passado mantêm o otimismo. Roger Federer destacou recentemente que o futuro do golpe depende diretamente da formação inicial, já que a maioria dos treinadores atuais domina apenas a técnica bilateral e tende a repassá-la aos mais jovens.

Apesar do lamento pela perda de um clássico estético e tradicional, o consenso entre os atletas é de que a modalidade seguirá em frente, ainda que com uma silhueta técnica consideravelmente diferente nas quadras de todo o mundo.