Família usa transportadora falsa para enviar armas e drogas ao RJ

Família criou transportadora para levar armas e drogas ao Rio

Dez pessoas foram presas em uma grande operação policial deflagrada nesta sexta-feira, 18, contra uma rede familiar suspeita de gerenciar o envio de armamentos pesados e entorpecentes para facções criminosas no Rio de Janeiro.

Como funcionava a logística da quadrilha

A investigação apontou que um homem liderava o esquema criminoso com o auxílio direto de sua companheira e de seus quatro filhos, sendo que cada parente desempenhava um papel estratégico na organização. Para mascarar as operações ilegais, o chefe do grupo utilizou documentos falsos para abrir uma transportadora de fachada, registrar veículos de luxo e movimentar valores financeiros. Os ilícitos eram camuflados entre cargas legítimas despachadas pelos caminhões da empresa.

Esquema de batedores e apreensões milionárias

Durante as viagens, os criminosos utilizavam automóveis como batedores para monitorar as rodovias, alertando os motoristas dos caminhões sobre a presença de viaturas e postos da Polícia Rodoviária Federal no trajeto entre o Paraná e o território fluminense.

Em 18 de junho, uma ação em Campo Largo (PR) resultou na captura de dois familiares no momento em que transferiam mais de 400 quilos de entorpecentes, além de um fuzil 5,56 mm, nove pistolas 9 mm e peças de fuzis 7,62 mm para um utilitário. Pouco mais de uma semana depois, uma nova abordagem em Ourinhos (SP) interceptou outro carregamento com 18 fuzis e drogas.

Bloqueio de bens e origem das investigações

O caso começou a ser desvendado em fevereiro, após análises de provas colhidas na prisão de um operador logístico ocorrida em dezembro de 2025. Com a queda desse criminoso, a rota entre Maringá, Curitiba e o Rio passou a ser administrada pelo núcleo familiar agora alvo da polícia.

A Justiça determinou o bloqueio de 21 contas bancárias e aplicações financeiras até o teto de R$ 10 milhões, além de restrições para 19 veículos associados aos investigados. Relatórios financeiros apontaram que as contas ligadas ao grupo acumularam R$ 28,8 milhões em créditos, enquanto uma das empresas da família declarou faturamento irrisório de R$ 34 mil, embora tenha movimentado R$ 4,2 milhões entre 2025 e 2026.