EUA barram entrada da China em negociações com o Brasil na OMC

EUA vetam presença da China em negociações com Brasil

O governo dos Estados Unidos vetou a tentativa da China de integrar as negociações entre brasileiros e norte-americanos na Organização Mundial do Comércio. Pequim buscava o status de terceira parte interessada no processo aberto pelo Brasil contra as tarifas de importação impostas pela gestão de Donald Trump.

Motivos do veto norte-americano

A recusa formal foi comunicada em documento protocolado na OMC. A representação dos Estados Unidos argumentou que o litígio iniciado pelo governo brasileiro não envolve diretrizes chinesas nem taxas direcionadas a mercadorias fabricadas no país asiático.

Segundo a leitura de Washington, os argumentos apresentados por Pequim não comprovam o interesse comercial substancial exigido pelas normas internacionais para o ingresso na qualidade de terceiro interessado. A solicitação chinesa havia sido protocolada no início de agosto, sob a alegação de que uma das medidas contestadas por Brasília também geraria reflexos em produtos da China.

Regras da OMC e o contencioso

O regimento do órgão regulador, especificamente o artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias, permite que nações terceiras participem de consultas alheias caso demonstrem relevância econômica no tema. No entanto, a aceitação está condicionada ao aval do país réu na ação, requisito que, na visão norte-americana, não foi atendido pelo governo chinês.

A ofensiva jurídica brasileira na OMC representa uma tentativa de reverter barreiras comerciais por meio dos canais multilaterais. O processo serve para expor contestações fundamentadas em tratados internacionais de comércio.

Próximos passos em Genebra

Embora o mecanismo global enfrente impasses estruturais, o estágio inicial garante espaço para o diálogo bilateral. Delegacias do Brasil e dos Estados Unidos têm encontro marcado em Genebra, na Suíça, para debater a celeuma de forma direta.

Caso a rodada de conversas não alcance um consenso, o governo brasileiro, que formalizou o pleito em julho, tem o direito de solicitar a criação de um painel arbitral. Nessa etapa avançada, o colegiado passa a avaliar o mérito da reclamação e a conformidade das taxações frente às diretrizes do comércio global.