Um aluno do curso de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi retirado de sala de aula e violentamente agredido por um grupo de estudantes. O episódio ocorreu no final de agosto, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), localizado no centro da capital fluminense.
Agressão filmada no campus
Registros em vídeo feitos por testemunhas mostram o momento em que a vítima, um estudante marxista de 27 anos, é cercada por aproximadamente dez pessoas. Nas imagens, o rapaz sofre socos e chutes durante cerca de trinta segundos, inclusive enquanto tenta descer a escadaria do prédio acadêmico.
O conflito começou quando outro aluno entrou na sala para questionar os adereços usados pela vítima: um broche com uma suástica riscada — símbolo tradicional de oposição ao fascismo — e uma camiseta da banda britânica Death in June, cuja estampa trazia uma caveira semelhante à Totenkopf, historicamente ligada a tropas da SS nazista.
Versões conflitantes e investigação policial
Enquanto os advogados do aluno que iniciou a cobrança acusam a vítima de agressão física, injúria racial e ameaça de morte, o estudante agredido nega todas as acusações. Ele afirma que apenas tentou se defender e explicar que estuda iconografia política por interesse acadêmico, utilizando os itens justamente para ridicularizar o regime de Adolf Hitler.
A Polícia Civil abriu inquérito na 1ª Delegacia de Polícia, na Praça Mauá, para analisar as imagens, apurar o espancamento coletivo, as supostas ameaças e a acusação de apologia ao nazismo. Até o momento, as autoridades não encerraram as diligências.
Reação da comunidade acadêmica
Em meio ao embate, professores e membros da universidade assinaram um manifesto rotulando o estudante como “neonazista” e classificando a reação da turma como autodefesa, embora tenham pedido punições baseadas no regimento interno. Centros acadêmicos também realizaram protestos contra o fascismo.
Diante da gravidade da situação, a administração da UFRJ abriu uma comissão de sindicância para identificar os agressores. A reitoria reiterou seu total repúdio ao nazismo e à discriminação, mas enfatizou que a violência física jamais pode ser aceita como resposta a divergências ideológicas.
Abalado psicologicamente e sentindo dores após o espancamento, o aluno agredido declarou que teme retornar ao campus e que não vê condições de retomar os estudos sem garantias concretas de segurança por parte da instituição.














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