Desconfiança no STF atinge 56% após embate entre ministros

Desconfiança no STF sobe para 56% em meio a embate no tribunal

A desconfiança no STF saltou para 56% entre o eleitorado brasileiro, registrando um aumento de 10 pontos porcentuais em comparação ao mês anterior, conforme apontou nova pesquisa da Quaest divulgada nesta segunda-feira, 14.

Crescimento da rejeição e divisões políticas

O levantamento detalha que 30% dos consultados afirmam “confiar pouco” na instituição, enquanto apenas 9% declaram “confiar muito”. Em agosto, o cenário era mais favorável à Corte, quando o índice de ceticismo marcava 46%, impulsionado por 18% de confiança alta e 33% de baixa.

O crescimento da incredulidade atravessa diferentes correntes políticas. Entre os eleitores alinhados ao governo, a desconfiança passou de 27% para 30%, acompanhada por uma forte retração na parcela dos que confiam plenamente, que desabou de 41% para 23%. Na oposição, o índice se mantém expressivo, alcançando 69%, embora estivesse em 73% no mês anterior e chegado a 83% em março. Já o grupo de independentes registrou 65% de rejeição ao tribunal, frente aos 50% de agosto.

Crise interna e investigações

Esse panorama de desgaste popular coincide com o agravamento de divergências internas, motivadas principalmente pela condução de inquéritos ligados ao Banco Master. Entre os votantes, 37% avaliam que o ministro André Mendonça atua de maneira correta no processo, ao passo que 16% creditam acerto à postura do ministro Alexandre de Moraes.

O atrito gerou repercussões diretas na agenda do tribunal e no cenário político nacional. A Corte pautou para esta terça-feira, 15, a avaliação sobre a abertura de apuração contra Moraes, desdobramento que surgiu após a Polícia Federal expor conversas do magistrado com o banqueiro Daniel Vorcaro e com a publicização do relatório policial conduzida por Mendonça.

Diante do conflito, Moraes solicitou ao plenário a investigação de Mendonça por suposto abuso de autoridade, com julgamento agendado pelo presidente do tribunal, Edson Fachin, para a semana seguinte. A disputa também respingou na esfera eleitoral, gerando distanciamento por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pedidos de afastamento defendidos por Flávio Bolsonaro.

Metodologia da pesquisa

O estudo de opinião foi realizado de forma presencial com 2.004 eleitores em todo o território nacional, entre os dias 10 e 13 de setembro. O levantamento possui margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro oficial no Tribunal Superior Eleitoral sob a identificação BR-03607/2026.